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Tecnologia no RH / Transformação Digital

Até 70% dos empregos estão expostos à IA: o que muda?

O OECD Employment Outlook 2026 mostra como inteligência artificial, mudanças tecnológicas e desigualdades regionais estão redesenhando o mercado de trabalho e exigindo novas competências.

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| 10 Minutos de leitura

| 14 agosto, 2026


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Até 70% dos empregos estão expostos à IA: o que muda?
15:03

 

 

A inteligência artificial já está mudando a forma como o trabalho é realizado, mas seu impacto não acontece da mesma maneira para todos. Segundo o OECD Employment Outlook 2026, a parcela de trabalhadores em empregos altamente expostos à IA generativa pode variar de cerca de 16% a mais de 70% entre diferentes regiões, dependendo da estrutura econômica, das ocupações predominantes e das habilidades exigidas.

 

O dado chama atenção porque mostra que o futuro do trabalho não será determinado apenas pela tecnologia. Onde as pessoas trabalham, quais atividades desempenham e quais oportunidades de qualificação estão disponíveis também podem definir quem se beneficia mais da transformação.

 

No Brasil, o cenário também já pode ser observado. Uma análise do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, baseada na metodologia atualizada da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e em dados da PNAD Contínua, estima que quase 30 milhões de trabalhadores, ou 30% dos ocupados, estavam em ocupações expostas à IA generativa no terceiro trimestre de 2025. Desse grupo, cerca de 5,2 milhões estavam no nível mais elevado de exposição.

 

Mas exposição não significa necessariamente substituição. Em muitos casos, significa que parte das tarefas realizadas por uma pessoa pode ser automatizada, acelerada ou transformada pela tecnologia.

 

E é justamente essa diferença que ajuda a entender o que o novo estudo da OCDE revela sobre o futuro do trabalho.

 

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O que o estudo da OCDE revela sobre o mercado de trabalho

Publicado em julho de 2026, o OECD Employment Outlook 2026 analisa as desigualdades geográficas em empregos e renda e mostra como diferentes regiões estão respondendo a grandes transformações econômicas, tecnológicas e demográficas.

 

O estudo aponta que os mercados de trabalho dos países da OCDE continuam resilientes. No primeiro trimestre de 2026, a taxa média de emprego chegou a 72,1%, enquanto a taxa de desemprego da OCDE estava em 4,9% em maio de 2026. O emprego total atingiu 670 milhões de pessoas em maio, cerca de 26% acima do nível de 2001.

 

Ao mesmo tempo, a organização identifica sinais de enfraquecimento: o crescimento do emprego desacelerou, a taxa de desemprego aumentou levemente e a recuperação dos salários reais perdeu força.

 

É nesse contexto que a IA aparece como uma das grandes forças de transformação.

O ponto central não é apenas quantos empregos a inteligência artificial pode substituir, mas como a tecnologia pode modificar tarefas, competências, produtividade e oportunidades em diferentes regiões.

Até 70% de exposição à IA não significa 70% de empregos automatizados

Esse é um dos principais cuidados na interpretação dos dados.

 

Quando a OCDE fala em exposição à IA generativa, ela está avaliando o quanto as tarefas presentes em determinadas ocupações podem ser realizadas ou aceleradas por ferramentas de IA.

 

Isso é diferente de afirmar que essas profissões desaparecerão.

 

Em estudo anterior, utilizado como referência no Employment Outlook 2026, a OCDE estimou que aproximadamente 26% dos trabalhadores estavam expostos à IA generativa, enquanto apenas cerca de 1% estavam em empregos considerados altamente expostos naquele momento. Com a evolução e a integração das tecnologias, a exposição poderia chegar a 70% dos trabalhadores no futuro.

 

O próprio relatório de 2026 reforça que a exposição varia muito de acordo com a região. Em algumas localidades, a proporção de trabalhadores em empregos altamente expostos fica próxima de 16%; em outras, supera 70%.

 

Portanto, exposição é um indicador de potencial de transformação, não uma previsão de desemprego em massa.

Por que algumas profissões estão mais expostas à IA?

A IA generativa tem uma característica diferente das ondas anteriores de automação: ela é especialmente capaz de atuar sobre tarefas cognitivas e não rotineiras.

 

Por isso, profissionais de áreas como tecnologia, finanças, educação e serviços especializados tendem a apresentar níveis maiores de exposição.

 

A OCDE destaca que regiões concentradas em setores como TIC, finanças e educação apresentam maior exposição, justamente porque essas atividades utilizam mais tarefas cognitivas e não rotineiras.

Entre as ocupações mais expostas estão profissionais de tecnologia, negócios, gestão, ciência e engenharia. Já atividades como limpeza, agricultura, preparação de alimentos e trabalhos elementares apresentam níveis menores de exposição à IA atual.

 

Isso gera uma mudança importante na discussão sobre tecnologia.

 

A IA não está necessariamente começando pelos trabalhos mais simples. Em muitos casos, ela chega primeiro a atividades que exigem alto nível de escolaridade e processamento de informação.

O impacto da IA também depende de onde a pessoa trabalha

Um dos pontos mais interessantes do estudo da OCDE é justamente a dimensão regional.

 

Em mais da metade dos países analisados, a taxa de emprego entre pequenas regiões pode apresentar diferenças superiores a 20 pontos percentuais. Isso significa que duas pessoas vivendo no mesmo país podem encontrar condições muito diferentes para trabalhar, dependendo de onde estão.

 

A mesma lógica vale para a transformação tecnológica.

 

Uma região com forte presença de empresas de tecnologia, serviços financeiros e atividades profissionais tende a ter maior exposição à IA do que uma região concentrada em atividades menos digitalizadas.

 

Isso não significa que uma região mais exposta necessariamente perderá mais empregos.

 

Na verdade, a OCDE aponta que os efeitos da IA sobre os mercados de trabalho locais ainda estão começando a ser observados. Estudos citados no relatório encontram evidências tanto de ganhos de produtividade e crescimento do emprego em ocupações mais expostas quanto de impactos negativos concentrados em determinados grupos.

 

O desafio, portanto, está na capacidade de cada região de transformar a tecnologia em produtividade e novas oportunidades.

E o que os dados mostram sobre o Brasil?

O Brasil ajuda a mostrar como esse processo já está acontecendo.

 

Uma análise publicada pelo Instituto Brasileiro de Economia da FGV, em fevereiro de 2026, aplicou a metodologia atualizada da OIT aos microdados da PNAD Contínua para estimar a exposição dos trabalhadores brasileiros à IA generativa.

 

Os resultados mostram que:

 

  • 30 milhões de trabalhadores, aproximadamente, estavam em ocupações expostas à IA generativa no terceiro trimestre de 2025;
  • isso representa cerca de 30% do emprego brasileiro;
  • 5,2 milhões de trabalhadores estavam no nível mais elevado de exposição;
  • a exposição aumentou de 27% do emprego em 2012 para 30% em 2025;
  • trabalhadores mais jovens, escolarizados e concentrados no Sudeste apresentam maior exposição;
  • serviços de informação e comunicação e serviços financeiros estão entre os setores com maior exposição.

O cenário brasileiro também precisa ser analisado considerando o acesso à tecnologia.

 

O Banco Mundial estima que 30% a 40% dos empregos na América Latina e no Caribe têm algum nível de exposição à IA generativa, mas parte significativa dos trabalhadores não possui infraestrutura digital suficiente para aproveitar seus ganhos potenciais de produtividade.

 

Isso cria uma questão importante para empresas e profissionais: não basta ter acesso à IA. É preciso ter condições, conhecimento e treinamento para utilizá-la de maneira produtiva.

 

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A principal mudança pode estar nas competências

Se a tecnologia muda as tarefas, as competências necessárias para realizá-las também mudam.

 

A OCDE destaca que gestão, resolução de problemas, criatividade, inovação e outras competências humanas continuam relevantes, mesmo em ocupações altamente expostas à IA. Ao mesmo tempo, aumenta a necessidade de saber utilizar, analisar e interpretar dados.

 

Esse movimento coloca o desenvolvimento profissional no centro da estratégia.

 

Uma empresa que simplesmente implementa uma ferramenta de IA pode automatizar uma atividade. Já uma organização que combina tecnologia, treinamento e redesenho de processos pode transformar a maneira como o trabalho é realizado.

 

A diferença está na capacidade de preparar as pessoas para trabalhar com a tecnologia.

O que isso muda para o RH?

Para o RH, os dados da OCDE trazem uma mensagem importante: a discussão sobre IA precisa sair do campo exclusivamente tecnológico e entrar na estratégia de pessoas.

 

Isso envolve olhar para pelo menos quatro frentes.

1. Mapear quais tarefas serão transformadas

O primeiro passo não é perguntar quais cargos serão substituídos.

 

É entender quais atividades dentro de cada função podem ser automatizadas, aumentadas ou transformadas pela IA.

 

Um analista financeiro, por exemplo, pode continuar exercendo a mesma função enquanto utiliza IA para organizar dados, produzir relatórios ou identificar padrões.

 

O cargo permanece, mas o conteúdo do trabalho muda.

2. Identificar as competências que serão necessárias

Depois de entender quais tarefas estão mudando, o RH pode mapear quais competências serão necessárias para o novo cenário.

 

Isso inclui tanto habilidades técnicas quanto competências humanas, como:

 

  • pensamento crítico;
  • resolução de problemas;
  • criatividade;
  • análise de dados;
  • comunicação;
  • colaboração;
  • capacidade de aprender continuamente.

A própria OCDE aponta que a falta de habilidades é uma das principais barreiras para a adoção de IA. Cerca de 40% dos empregadores dos setores de manufatura e finanças que ainda não adotaram IA apontam a falta de competências como uma das principais razões.

3. Investir em treinamento

A qualificação deixa de ser apenas uma iniciativa de desenvolvimento e passa a fazer parte da estratégia de transformação.

 

A OCDE destaca que mais da metade dos trabalhadores que utilizam IA relatam ter recebido treinamento financiado pelo empregador. E os profissionais que recebem treinamento tendem a relatar resultados mais positivos da adoção da tecnologia, incluindo melhora no desempenho e nas condições de trabalho.

 

Para o RH, isso significa transformar treinamento em uma frente contínua, acompanhando a velocidade das mudanças tecnológicas.

4. Acompanhar os impactos sobre as pessoas

A adoção de IA também exige atenção a questões como privacidade, transparência, discriminação, segurança e qualidade do trabalho.

 

Não basta medir se uma ferramenta economizou horas.

 

É preciso entender o que aconteceu com o trabalho depois da automação.

 

As pessoas passaram a realizar atividades mais estratégicas? A carga de trabalho diminuiu ou apenas mudou de formato? Os profissionais receberam treinamento? A tecnologia melhorou a experiência ou aumentou o controle e a pressão?

 

Essas perguntas fazem parte de uma gestão de pessoas preparada para a transformação digital.

IA pode aumentar a produtividade sem eliminar empregos?

Ainda não existe uma resposta única.

 

O que os estudos mais recentes indicam é um cenário de transformação do trabalho, e não simplesmente de substituição.

 

A OCDE cita evidências de que a adoção de IA ainda não provocou perdas generalizadas de empregos. Em algumas ocupações com alta exposição, a tecnologia aparece associada a ganhos de produtividade e crescimento do emprego. Ao mesmo tempo, trabalhadores mais jovens em determinadas ocupações expostas à IA já apresentaram queda relativa no emprego em alguns mercados analisados.

 

Por isso, o impacto dependerá de como empresas, trabalhadores e governos conduzirão essa transição.

A mesma tecnologia pode substituir uma tarefa em uma empresa e ampliar a capacidade de uma pessoa em outra.

 

Processos, treinamento, investimento, infraestrutura e modelo de gestão fazem parte dessa equação.

O que o RH pode fazer agora?

Diante desse cenário, o RH não precisa esperar uma transformação completa para começar a agir.

 

Algumas iniciativas podem ser incorporadas ao planejamento:

 

Mapear: identifique processos e tarefas com potencial de automação ou apoio por IA.

 

Priorizar: escolha atividades em que a tecnologia possa gerar ganho real de produtividade, sem comprometer a qualidade.

 

Qualificar: avalie quais competências precisam ser desenvolvidas internamente.

 

Treinar: crie programas de letramento e uso responsável de IA para diferentes áreas.

 

Medir: acompanhe produtividade, qualidade, experiência dos colaboradores e possíveis impactos sobre funções e carreiras.

 

Governar: estabeleça regras para privacidade, segurança, transparência e responsabilidade no uso das ferramentas.

 

Revisar: atualize continuamente os mapas de competências e processos conforme a tecnologia evolui.

 

Mais do que acompanhar a tecnologia, o papel estratégico do RH será ajudar a organização a redesenhar o trabalho sem perder de vista as pessoas que realizam esse trabalho.

O futuro do trabalho será definido apenas pela tecnologia?

Os dados da OCDE mostram que não.

 

A inteligência artificial é apenas uma das forças que estão transformando os mercados de trabalho. O envelhecimento populacional, as mudanças econômicas, a desigualdade regional, a necessidade de novas competências e a mobilidade dos trabalhadores também influenciam quem terá acesso às melhores oportunidades.

 

O OECD Employment Outlook 2026 defende justamente uma combinação entre desenvolvimento de competências, treinamento, políticas de emprego e estratégias regionais para ajudar trabalhadores e empresas a atravessarem essas transformações.

 

Para as empresas, a mensagem é igualmente relevante: adotar IA não é apenas uma decisão de tecnologia. É uma decisão sobre pessoas, processos, competências e futuro do trabalho.

 

E, para o RH, talvez essa seja a principal mudança de perspectiva.

 

O objetivo não é preparar pessoas para competir com a IA, mas prepará-las para trabalhar em um mercado no qual a IA fará cada vez mais parte das atividades profissionais.

Continue acompanhando as tendências que estão transformando o RH

O mercado de trabalho está mudando rapidamente, e novas tecnologias, pesquisas e práticas de gestão surgem o tempo todo. Acompanhe o Blog da Buk para ficar por dentro das principais notícias, tendências e novidades que impactam o RH e a gestão de pessoas.

 

 

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Perguntas Frequentes

O que significa um emprego estar exposto à IA?

Significa que parte das tarefas realizadas naquela ocupação pode ser automatizada, acelerada ou transformada por tecnologias de inteligência artificial. Exposição não significa necessariamente que o emprego será eliminado.  

Até 70% dos empregos serão substituídos pela IA?

Não. O dado de até 70% se refere à exposição potencial de trabalhadores à IA generativa, especialmente em determinados cenários e regiões. Ele não representa uma previsão de que 70% dos empregos serão eliminados. 





Quais profissionais estão mais expostos à inteligência artificial?

Profissionais de tecnologia, negócios, gestão, ciência, engenharia, finanças e outras ocupações que envolvem tarefas cognitivas e não rotineiras estão entre os grupos mais expostos. 



 

 

 

 

Como a IA pode afetar o trabalho no Brasil?

Segundo análise da FGV baseada na metodologia da OIT e em dados da PNAD Contínua, cerca de 30% dos trabalhadores brasileiros estavam em ocupações expostas à IA generativa no terceiro trimestre de 2025. 

O que o RH pode fazer para preparar os colaboradores?

O RH pode mapear tarefas, identificar novas competências, investir em treinamento, estabelecer políticas de uso responsável da IA e acompanhar os impactos da tecnologia sobre produtividade e experiência dos colaboradores. 



Oie! Me chamo Anna e sou especialista em conteúdo na Buk. Com mais de 10 anos de experiência como redatora e formaç...

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