Gestão de Pessoas / Cultura e bem-estar no trabalho
DHO e gestão de mudança: como liderar transformações
Mudança organizacional não acontece apenas na estratégia. Ela acontece nas pessoas. E, em um cenário em que empresas lidam constantemente com transformação digital, reestruturações, fusões, novas lideranças e mudanças culturais, o papel de DHO se torna cada vez mais estratégico para garantir adaptação, clareza e execução.
Esse foi o principal debate da palestra “DHO na gestão de mudança: como desenvolver capacidades em um cenário de transformação”, realizada durante o RH Summit 2026.
A conversa reuniu profissionais que vivem processos de transformação na prática:
- Aliny Katsutani, de People & Culture da Tivit
- Gustavo Espinheira, gerente de Atração de Talentos, Diversidade, Equidade & Inclusão e Desenvolvimento Organizacional da Braskem
- Abbadhia Vieira, mediando as discussões sobre liderança, mudança e desenvolvimento organizacional.
Ao longo do painel, ficou evidente que o maior desafio das empresas não é apenas criar uma estratégia de mudança, mas garantir que ela seja compreendida, sustentada e vivida pelas pessoas no dia a dia.
DHO: o que é e qual seu papel na transformação das empresas?
Antes de aprofundar os aprendizados da palestra, vale responder uma dúvida comum: DHO, o que é?
DHO significa Desenvolvimento Humano e Organizacional. A área conecta estratégia de organização, cultura, liderança e desenvolvimento de pessoas para fortalecer a evolução das empresas.
Na prática, o DHO atua em iniciativas como:
- programas de capacitação;
- planos de carreira;
- avaliações de desempenho;
- desenvolvimento de lideranças;
- clima organizacional;
- employee experience;
- gestão de mudança;
- recrutamento e seleção;
- cultura organizacional;
- desenvolvimento organizacional.
Além disso, o DHO moderno possui uma atuação cada vez mais próxima da estratégia do negócio, ajudando empresas a desenvolver capacidades alinhadas aos desafios do presente e do futuro.
E foi justamente isso que a palestra reforçou: DHO não pode entrar apenas no final da mudança. Precisa participar da construção dela desde o início.
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Transformação organizacional não depende só de estratégia
Um dos principais insights do painel foi que transformação não acontece apenas no desenho estratégico.
Segundo Aliny Katsutani, a mudança só ganha força quando a estratégia é bem compartilhada com as lideranças e sustentada com disciplina ao longo da execução.
Na prática, isso significa que não basta apresentar um novo direcionamento para a empresa.
É fundamental garantir que:
- as lideranças entendam a mudança;
- os times saibam o que está acontecendo;
- exista coerência entre discurso e prática;
- a comunicação aconteça de forma contínua;
- as pessoas consigam transformar estratégia em ação.
Esse ponto se torna ainda mais importante porque, em muitos contextos, as lideranças intermediárias são as responsáveis por traduzir a transformação para os colaboradores.
São elas que lidam diariamente com:
- inseguranças;
- dúvidas;
- resistência;
- medo da mudança;
- desalinhamentos de comunicação.
Sem esse preparo, a estratégia se perde na execução.
A comunicação é o que sustenta a mudança
Outro tema central da palestra foi o papel da comunicação durante processos de transformação.
Gustavo Espinheira destacou que mudanças organizacionais podem assumir diferentes formatos: mudança de estrutura, transformação cultural, revisão de processos, mudança no ambiente de trabalho ou até revisões em avaliações de desempenho.
Independentemente do cenário, existe um ponto em comum: as pessoas precisam entender o que está acontecendo.
E esse entendimento vai muito além de enviar comunicados internos.
Uma das frases mais fortes da palestra resume bem isso:
“Comunicação não é apenas o que a empresa diz, mas o que as pessoas entendem.”
Quando não existe clareza, os vazios de informação começam a ser preenchidos por interpretações próprias, rumores e insegurança.
Por isso, empresas que passam por mudanças precisam trabalhar:
|
O que fortalece a transformação |
O que aumenta resistência |
|
Comunicação contínua |
Silêncio institucional |
|
Transparência |
Informações vagas |
|
Escuta ativa |
Comunicação unilateral |
|
Lideranças preparadas |
Líderes inseguros |
|
Narrativa clara |
Mudanças desconectadas |
No fim, a resistência nem sempre é oposição. Muitas vezes, ela nasce da falta de clareza.
DHO precisa participar da arquitetura da mudança
Um dos momentos mais marcantes do painel veio com a analogia compartilhada por Aliny Katsutani.
Ela comparou a transformação organizacional a uma reforma de casa acontecendo enquanto as pessoas ainda moram nela.
Durante uma reforma:
- paredes são derrubadas;
- estruturas mudam;
- rotinas são impactadas;
- surgem dúvidas e desconfortos.
E nem todo mundo quer a mudança naquele momento.
Segundo ela, o mesmo acontece nas empresas.
O problema é que, muitas vezes, o DHO é chamado apenas no final do processo — “na hora de decorar a casa” — quando as decisões mais importantes já foram tomadas.
A provocação foi direta:
“DHO não pode ser chamado apenas na hora de decorar a casa. Precisa participar da arquitetura da mudança.”
Isso significa que a área deve participar desde o início para ajudar a definir:
- quais capacidades precisam ser desenvolvidas;
- quais lideranças são críticas;
- quais áreas serão mais impactadas;
- como preparar as pessoas;
- quais resistências podem surgir;
- como sustentar a transformação ao longo do tempo.
Empresas que envolvem DHO apenas na comunicação final tendem a enfrentar mais ruídos, desalinhamento e resistência.
Lideranças intermediárias são essenciais para o sucesso da transformação
Outro aprendizado importante da palestra foi o protagonismo das lideranças intermediárias em contextos de mudança.
Em cenários de transformação, nem todas as respostas estão prontas desde o começo.
Existem:
- ambiguidades;
- ajustes de rota;
- mudanças de prioridade;
- impactos diferentes entre áreas.
Por isso, líderes precisam desenvolver muito mais do que conhecimento técnico.
Segundo os participantes do painel, as lideranças precisam sustentar confiança, escutar pessoas e manter clareza mesmo em cenários incertos.
Aliny destacou a importância do storytelling contínuo como ferramenta para gerar segurança durante a mudança.
Já Gustavo trouxe outro ponto importante: cuidar da energia dos líderes.
Durante transformações, muitas responsabilidades ficam concentradas nessas pessoas. Sem suporte adequado, existe risco de sobrecarga, desgaste emocional e perda de capacidade de influência.
Nesse contexto, o DHO foca no desenvolvimento não apenas técnico, mas também pessoal e profissional das lideranças.
Por isso, DHO também precisa atuar fortalecendo:
- adaptabilidade;
- capacidade de influência;
- escuta ativa;
- comunicação;
- clareza estratégica;
- gestão emocional;
- tomada de decisão em cenários incertos.
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Os erros mais comuns em processos de transformação
A palestra também trouxe reflexões importantes sobre falhas recorrentes em processos de mudança organizacional.
Entre os principais erros apontados estão:
1. Capacitações genéricas
Segundo Gustavo, treinamentos desconectados da realidade do negócio dificilmente sustentam a transformação.
Os programas de capacitação precisam considerar:
- momento da empresa;
- maturidade da organização;
- objetivos estratégicos;
- desafios reais das equipes;
- necessidades das pessoas.
“Capacitação genérica não sustenta transformação.”
2. Tratar mudança apenas como comunicado
Outro erro comum é enxergar a transformação como um anúncio isolado.
Na prática, mudança envolve:
- governança;
- comunicação;
- desenvolvimento;
- acompanhamento;
- alinhamento entre áreas;
- consistência na execução.
Quando as iniciativas ficam desconectadas, a transformação perde força e gera confusão.
3. Tentar mudar tudo ao mesmo tempo
Nem toda transformação precisa acontecer de forma imediata.
Um dos pontos reforçados no painel foi a importância de respeitar etapas, ritmos e maturidades diferentes dentro da organização.
Escuta ativa evita ruídos e fortalece confiança
Outro tema recorrente foi a importância da escuta durante processos de transformação.
Segundo Aliny, quando a empresa não entende o que as pessoas estão perguntando, os silos começam a crescer.
E, quando existe silêncio institucional, os colaboradores criam suas próprias narrativas.
Por isso, a escuta não deve acontecer apenas em pesquisas pontuais.
Ela precisa ser contínua para:
- identificar dúvidas;
- ajustar a comunicação;
- fortalecer vínculos;
- reduzir resistência;
- melhorar alinhamento entre áreas.
Além disso, a escuta tem impacto direto no employee experience e no fortalecimento do clima organizacional, especialmente em empresas que passam por mudanças constantes.
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Quais competências DHO precisa desenvolver?
Ao final da palestra, os participantes destacaram as competências mais importantes para profissionais de DHO em cenários de transformação.
Competências essenciais para DHO
|
Competência |
Por que ela importa |
|
Influência |
Mobilizar áreas e lideranças |
|
Disciplina |
Garantir execução consistente |
|
Visão estratégica |
Conectar pessoas e negócio |
|
Adaptabilidade |
Atuar em cenários incertos |
|
Comunicação |
Sustentar clareza e alinhamento |
|
Escuta ativa |
Identificar resistências e ruídos |
|
Tomada de decisão |
Priorizar ações durante mudanças |
Mais do que apoiar treinamentos, o DHO moderno precisa conectar cultura, liderança, comunicação e execução.
O principal aprendizado da palestra sobre DHO e gestão da mudança
Neste artigo, vimos que a transformação organizacional não pode ser conduzida apenas como projeto, cronograma ou comunicado.
Ela precisa ser construída como um processo humano.
Isso significa entender que:
- pessoas possuem ritmos diferentes;
- mudanças geram insegurança;
- liderança influencia percepção;
- comunicação precisa ser contínua;
- cultura sustenta execução.
E, principalmente, que DHO deve participar da transformação desde o início — não apenas quando a mudança já está acontecendo.
Porque, no fim, desenvolver capacidades não é apenas treinar pessoas.
É preparar a organização para lidar com:
- ambiguidade;
- resistência;
- confiança;
- energia;
- adaptação;
- execução.
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O futuro do RH passa por um DHO mais estratégico
As empresas continuarão passando por mudanças cada vez mais rápidas — e isso exige áreas de RH e DHO mais conectadas à estratégia, à experiência das pessoas e ao desenvolvimento sustentável das organizações.
Mais do que acompanhar tendências, o desafio está em construir culturas capazes de evoluir junto com o negócio, sem perder de vista aquilo que realmente sustenta a transformação: as pessoas.
Aqui na Buk, acreditamos que tecnologia, cultura e desenvolvimento precisam caminhar juntos para criar empresas mais humanas, estratégicas e preparadas para o futuro do trabalho. Por isso, seguimos acompanhando os principais debates do mercado para ajudar lideranças e RHs a transformarem desafios em evolução contínua.
Perguntas Frequentes
DHO: o que é?
DHO significa Desenvolvimento Humano e Organizacional. É a área responsável por conectar estratégia, cultura, liderança e desenvolvimento de pessoas dentro das empresas.
Qual a diferença entre RH e DHO?
RH e DHO possuem atuações complementares. Enquanto o RH possui uma visão mais ampla da gestão de pessoas, o DHO atua de forma estratégica no desenvolvimento organizacional, cultura, liderança e gestão da mudança.
Qual o papel do DHO na gestão de mudança?
O DHO ajuda a preparar lideranças, desenvolver capacidades, fortalecer comunicação e sustentar a transformação organizacional ao longo do processo.
Como o DHO melhora o ambiente de trabalho?
Ao fortalecer comunicação, desenvolvimento, escuta e cultura organizacional, o DHO contribui para um ambiente de trabalho mais saudável, colaborativo e alinhado às necessidades das pessoas.
Quais competências são essenciais para profissionais de DHO?
Entre as principais estão visão estratégica, influência, comunicação, escuta ativa, adaptabilidade e capacidade de execução.
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