Gestão de Pessoas / Tendências de RH
People Analytics: 7 formas práticas de usar no seu RH
Veja como transformar dados de pessoas em análises que apoiam decisões sobre recrutamento, retenção, desempenho, desenvolvimento e planejamento da força de trabalho.
O RH já tem acesso a uma quantidade enorme de informações sobre a jornada dos colaboradores. Dados de recrutamento, admissões, desligamentos, desempenho, absenteísmo, remuneração, desenvolvimento e pesquisas podem revelar padrões importantes sobre a força de trabalho.
O desafio está em transformar essas informações em decisões melhores.
Uma pesquisa da SHRM com profissionais e executivos de RH de organizações que já utilizam People Analytics mostrou que 82% usam a análise de dados para avaliar retenção e turnover, enquanto 71% aplicam a prática em recrutamento, entrevistas e contratação. Além disso, 94% dos líderes empresariais ouvidos afirmaram que People Analytics eleva a atuação do RH.
Isso mostra que a aplicação da análise de dados não está restrita a dashboards ou relatórios. Ela pode apoiar diferentes decisões ao longo de toda a jornada do colaborador.
Mas onde, exatamente, o RH pode usar People Analytics?
A seguir, veja 7 aplicações práticas e como transformar cada uma delas em uma análise útil para o negócio.
1. Identificar as causas do turnover
Turnover é um dos usos mais conhecidos de People Analytics, mas existe uma diferença importante entre medir quantas pessoas saíram e entender por que elas estão saindo.
Em vez de acompanhar apenas a taxa geral de turnover, o RH pode cruzar os desligamentos com diferentes variáveis, como:
- área;
- cargo;
- tempo de empresa;
- liderança;
- faixa salarial;
- localização;
- desempenho;
- histórico de promoções;
- absenteísmo;
- resultados de pesquisas de clima ou engajamento.
Na prática
Imagine que a empresa registre uma taxa de turnover de 15%.
Esse número, sozinho, diz pouco.
Ao cruzar os dados, o RH pode descobrir que a maior parte das saídas acontece entre profissionais com menos de um ano de empresa e está concentrada em determinadas áreas.
A pergunta muda de:
“Nosso turnover está alto?”
para:
“O que está acontecendo nessas áreas e nesse período da jornada?”
Essa diferença é justamente o valor da análise.
A SHRM aponta a retenção e o turnover como o principal uso de People Analytics entre as organizações pesquisadas, com 82% dos profissionais indicando essa aplicação.
2. Melhorar recrutamento e seleção
People Analytics também pode ajudar o RH a entender quais características tornam o processo seletivo mais eficiente, sem transformar os dados em uma decisão automática sobre quem deve ser contratado.
É possível analisar, por exemplo:
- tempo para preenchimento da vaga;
- origem dos candidatos;
- taxa de conversão entre etapas;
- tempo em cada etapa;
- taxa de aceitação de propostas;
- custo por contratação;
- turnover de recém-contratados;
- desempenho posterior dos contratados.
Um exemplo
O RH percebe que uma determinada fonte de candidatos gera muitos currículos, mas poucos chegam à etapa final.
Outra fonte gera menos candidatos, porém uma proporção maior chega à contratação e permanece na empresa.
A análise permite entender qual canal realmente contribui para uma contratação mais eficiente, em vez de avaliar o sucesso apenas pelo volume de currículos recebidos.
Não por acaso, recrutamento, entrevistas e contratação aparecem como o segundo uso mais comum de People Analytics na pesquisa da SHRM, citados por 71% dos profissionais entrevistados.
3. Entender o impacto da liderança nas equipes
A atuação das lideranças pode influenciar diferentes indicadores da jornada dos colaboradores.
Com People Analytics, o RH pode identificar padrões entre equipes e analisar indicadores como:
- turnover;
- absenteísmo;
- desempenho;
- mobilidade interna;
- participação em treinamentos;
- resultados de pesquisas;
- tempo de permanência;
- promoções.
O objetivo não deve ser criar um ranking de melhores e piores gestores.
A análise é mais útil quando ajuda a responder perguntas como:
Quais equipes apresentam padrões diferentes da média da organização?
Quais práticas de gestão podem estar associadas a esses resultados?
Onde existe necessidade de desenvolvimento de liderança?
Na prática
Se duas equipes possuem funções semelhantes, mas apresentam diferenças relevantes em retenção e engajamento, os dados podem indicar que vale investigar o contexto de cada uma.
People Analytics, nesse caso, funciona como um ponto de partida para uma investigação, não como uma sentença sobre o desempenho do gestor.
4. Avaliar se treinamentos estão gerando resultado
Treinamento não precisa ser avaliado apenas pelo número de pessoas inscritas ou pela satisfação ao final do curso.
People Analytics permite acompanhar o que acontece depois da capacitação.
Dependendo do objetivo do programa, o RH pode cruzar dados de:
- participação;
- conclusão;
- avaliação de aprendizagem;
- desempenho;
- produtividade;
- movimentações internas;
- promoções;
- retenção.
Um exemplo
Uma empresa investe em um programa de desenvolvimento para novas lideranças.
Em vez de analisar somente quantos gestores concluíram o treinamento, o RH pode acompanhar indicadores antes e depois da iniciativa.
Se o objetivo era melhorar determinada competência de gestão, por exemplo, pode ser interessante combinar resultados de avaliações, pesquisas com equipes e outros indicadores relacionados.
Assim, a pergunta deixa de ser:
“Quantas pessoas participaram?”
e passa a ser:
“O que mudou depois do investimento?”
5. Encontrar gargalos na experiência do colaborador
A jornada do colaborador reúne diversos momentos que podem ser analisados separadamente.
Isso permite ao RH identificar onde estão os principais pontos de atrito.
Alguns exemplos:
Recrutamento → admissão → onboarding → desenvolvimento → avaliação → movimentação → desligamento
Em cada etapa, podem existir indicadores capazes de revelar problemas.
No onboarding
O RH pode analisar:
- tempo até a conclusão das etapas;
- participação em treinamentos iniciais;
- dúvidas recorrentes;
- desligamentos nos primeiros meses;
- resultados de pesquisas de experiência.
Em movimentações internas
Pode acompanhar:
- taxa de mobilidade;
- tempo médio até promoção;
- áreas com maior ou menor movimentação;
- participação em processos internos.
A análise ajuda a identificar se determinadas etapas da jornada estão funcionando como deveriam ou se existe espaço para melhorar a experiência.
6. Apoiar o planejamento da força de trabalho
People Analytics também pode ajudar o RH a responder uma pergunta essencial:
A empresa terá as pessoas e competências necessárias para os próximos ciclos do negócio?
Nesse caso, os dados podem ser usados para analisar:
- headcount atual;
- crescimento histórico;
- turnover;
- aposentadorias previstas;
- movimentações internas;
- competências disponíveis;
- distribuição de cargos;
- necessidades futuras de contratação.
Imagine uma empresa que pretende abrir uma nova unidade.
Em vez de começar o planejamento apenas quando as vagas forem abertas, o RH pode analisar a força de trabalho atual e identificar:
- quais competências já existem internamente;
- onde existem possíveis candidatos para movimentação;
- quais posições precisarão ser contratadas;
- quais áreas podem sofrer impacto com as movimentações.
O People Analytics deixa, então, de olhar apenas para o presente e passa a apoiar o planejamento de pessoas.
7. Medir o impacto das decisões de RH
Talvez uma das aplicações mais estratégicas seja utilizar dados para descobrir se uma iniciativa realmente funcionou.
Imagine que a empresa implemente:
- uma nova política de trabalho;
- programa de desenvolvimento;
- revisão de benefícios;
- ação de retenção;
- mudança no processo de onboarding;
- programa de reconhecimento.
O RH pode acompanhar os indicadores relacionados ao objetivo da iniciativa antes e depois da mudança.
Exemplo
Problema: aumento do turnover em determinada área.
Ação: programa específico de retenção.
Indicadores acompanhados: turnover voluntário, tempo de permanência e movimentações internas.
Análise: comparação dos resultados antes e depois da iniciativa.
O objetivo não é simplesmente provar que uma ação funcionou.
É entender se houve mudança, em que medida e quais outros fatores podem ter influenciado o resultado.
Esse tipo de análise aproxima o RH das decisões de negócio e ajuda a demonstrar o impacto das iniciativas de pessoas.
People Analytics pode ser usado em toda a jornada do colaborador
Uma das principais vantagens de People Analytics é justamente não estar limitado a um único processo.
Veja alguns exemplos:
|
Momento da jornada |
O que analisar |
|
Recrutamento |
Fontes, conversão, tempo e custo |
|
Admissão |
Perfil das contratações e qualidade do processo |
|
Onboarding |
Experiência, conclusão e retenção inicial |
|
Desempenho |
Evolução, distribuição e padrões |
|
Desenvolvimento |
Participação, aprendizagem e resultados |
|
Carreira |
Promoções e mobilidade interna |
|
Retenção |
Turnover e fatores associados |
|
Desligamento |
Motivos e padrões de saída |
|
Planejamento |
Headcount, competências e necessidades futuras |
A grande questão é escolher qual decisão precisa ser melhorada e identificar quais dados ajudam a respondê-la.
E onde entra a inteligência artificial?
People Analytics e inteligência artificial podem trabalhar juntos, mas não são a mesma coisa.
People Analytics pode ser realizado com análises estatísticas, indicadores, cruzamentos de dados e visualizações.
A IA pode entrar em aplicações mais avançadas, como:
- identificação de padrões;
- classificação de informações;
- geração de recomendações;
- previsão de determinados eventos;
- personalização de experiências;
- apoio à análise de grandes volumes de dados.
Mas existe um ponto de atenção.
Quando algoritmos passam a influenciar decisões sobre pessoas, transparência, qualidade dos dados e governança se tornam ainda mais importantes.
Uma pesquisa da SHRM mostrou que apenas 3% dos executivos de RH cujas organizações utilizavam People Analytics consideravam sua empresa muito bem preparada para lidar com a falta de transparência nas decisões de IA. Além disso, 95% dos profissionais consideravam importante entender a lógica por trás das decisões de um algoritmo.
Por isso, utilizar tecnologia não significa retirar o fator humano da análise.
O papel do RH continua sendo interpretar o contexto e questionar os resultados.
People Analytics exige cuidado com os dados
Quanto mais aplicações o RH cria, maior também é a responsabilidade sobre as informações utilizadas.
Dados relacionados a colaboradores podem ser dados pessoais e, dependendo da informação, dados pessoais sensíveis. A ANPD destaca que a LGPD protege dados pessoais em formato físico ou digital e inclui, entre outros, informações utilizadas para formar perfis comportamentais de pessoas identificadas ou identificáveis.
Por isso, antes de ampliar o uso de People Analytics, o RH deve considerar:
- finalidade da análise;
- necessidade dos dados utilizados;
- controle de acesso;
- segurança das informações;
- transparência;
- qualidade dos dados;
- riscos de discriminação.
Isso é especialmente importante quando as análises passam a apoiar decisões que afetam contratação, promoção, remuneração, desenvolvimento ou permanência na empresa.
O que muda quando o RH começa a usar People Analytics?
A principal mudança não está no volume de dashboards.
Está na qualidade das perguntas.
Um RH tradicional pode dizer:
“O turnover aumentou.”
Um RH orientado por People Analytics pode perguntar:
“Onde o turnover aumentou, entre quais grupos, em que momento da jornada e quais fatores precisam ser investigados?”
Essa mudança transforma o dado em evidência para decisão.
E é justamente por isso que People Analytics pode apoiar diferentes áreas do RH, desde recrutamento até planejamento da força de trabalho.
Como escolher qual aplicação começar?
Aqui não precisamos repetir o passo a passo do artigo anterior. Para este conteúdo, a pergunta é outra: qual caso de uso faz mais sentido para o seu RH agora?
Uma forma simples de decidir é observar onde existe maior impacto para o negócio.
Se o problema é...
Muita gente saindo: comece por turnover e retenção.
Vagas demorando para fechar: analise recrutamento e seleção.
Baixo engajamento: investigue experiência, liderança e clima.
Treinamentos sem evidência de resultado: acompanhe desenvolvimento e desempenho.
Crescimento acelerado: use dados para planejamento da força de trabalho.
Dificuldade para demonstrar o valor do RH: analise o impacto das iniciativas.
O melhor caso de uso não é necessariamente o mais sofisticado.
É aquele que ajuda o RH a responder uma pergunta relevante e tomar uma decisão melhor.
People Analytics funciona quando o dado chega à decisão
People Analytics não precisa ser utilizado apenas para construir relatórios mais completos.
Seu verdadeiro potencial aparece quando a análise muda a forma como a empresa decide.
Pode ser para entender por que profissionais estão deixando a organização, melhorar uma contratação, identificar gargalos na jornada, direcionar investimentos em desenvolvimento ou planejar as competências necessárias para o futuro.
E não é preciso aplicar tudo de uma vez.
Comece pelo problema que mais importa para o negócio e use os dados para enxergá-lo melhor.
No artigo anterior da série, mostramos como estruturar People Analytics começando do zero. Agora, o próximo passo é entender onde essa capacidade pode gerar valor na prática.
Transforme dados de pessoas em decisões melhores
O RH já possui muitos dos dados necessários para começar a enxergar padrões na força de trabalho.
O desafio é conectar essas informações às perguntas que realmente importam.
Quem está saindo? Por quê? Onde estão os gargalos? Quais iniciativas funcionam? Que competências serão necessárias?
Quando o People Analytics responde a essas perguntas, os dados deixam de ser apenas números em um dashboard e passam a apoiar decisões que impactam pessoas e resultados.
Quer continuar acompanhando tendências, tecnologias e novas práticas para tornar o RH mais estratégico? Continue no Blog da Buk e acompanhe nossos conteúdos sobre gestão de pessoas, dados e transformação do RH.
Perguntas Frequentes
Quais são os principais usos de People Analytics?
Entre as aplicações estão análise de turnover e retenção, recrutamento, desempenho, desenvolvimento, experiência do colaborador, liderança e planejamento da força de trabalho.
People Analytics serve apenas para empresas grandes?
Não. Empresas de diferentes tamanhos podem utilizar dados para apoiar decisões de pessoas. O nível de complexidade da análise deve acompanhar a quantidade e a qualidade dos dados disponíveis.
People Analytics pode ajudar a reduzir o turnover?
Sim. A análise permite identificar padrões nos desligamentos e investigar fatores associados à saída de colaboradores. Isso pode apoiar ações mais direcionadas de retenção.
Qual é a diferença entre People Analytics e inteligência artificial no RH?
People Analytics é uma abordagem de análise de dados aplicada à gestão de pessoas. A inteligência artificial é uma tecnologia que pode ser utilizada em algumas dessas análises, mas não é necessária para aplicar People Analytics.
People Analytics precisa seguir a LGPD?
Sim. O uso de dados pessoais no RH deve observar a legislação aplicável de proteção de dados, incluindo princípios relacionados à finalidade, necessidade, segurança, transparência e não discriminação.
Oie! Me chamo Anna e sou especialista em conteúdo na Buk. Com mais de 10 anos de experiência como redatora e formaç...



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