Gestão de Pessoas / Cultura e bem-estar no trabalho
Saúde mental no trabalho: o risco que empresas ignoram
A saúde mental deixou de ser uma pauta restrita ao bem-estar e passou a ocupar um espaço estratégico dentro das empresas. Hoje, falar sobre saúde emocional no ambiente corporativo também significa discutir produtividade, cultura, liderança, prevenção e sustentabilidade do negócio.
Esse foi o principal debate da palestra “Saúde mental no trabalho: como transformar cuidado em gestão real de risco”, realizada durante o RH Summit 2026.
A conversa reuniu lideranças que vivem esse desafio na prática:
- Ivone Matjas, gerente de Saúde e Bem-Estar do Itaú;
- Adriana Viveiros, diretora de RH da Leroy Merlin Brasil;
- mediação de Laís Melo, especialista em Desenvolvimento da Wellhub.
Ao longo do painel, ficou claro que os transtornos mentais já impactam diretamente empresas, lideranças e colaboradores. E mais do que criar campanhas pontuais, as organizações precisam aprender a transformar o cuidado em uma estratégia contínua de gestão.
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Saúde mental no trabalho deixou de ser apenas benefício
Nos últimos anos, o tema ganhou uma dimensão muito maior dentro das empresas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os problemas de saúde mental estão entre os principais fatores associados à perda de produtividade, afastamentos e queda no desempenho no trabalho.
Além disso, ambientes corporativos marcados por excesso de pressão, jornadas intensas e baixa segurança psicológica aumentam os riscos psicossociais e impactam diretamente a qualidade de vida das pessoas.
Durante a palestra, Adriana Viveiros comentou que o cuidado com colaboradores sempre fez parte da agenda do RH. Mas a pandemia mudou completamente a urgência dessa conversa.
Antes, muitas empresas falavam sobre bem-estar de forma mais ampla. Depois daquele período, ficou evidente que seria necessário estruturar ações mais profundas, preventivas e contínuas.
Segundo ela, já não bastava apenas oferecer iniciativas isoladas. Era preciso:
- acompanhar indicadores;
- preparar lideranças;
- implementar políticas;
- fortalecer a promoção da saúde mental;
- criar uma cultura de cuidado constante.
A pandemia acelerou uma mudança que já estava acontecendo
Um dos pontos mais interessantes da conversa foi perceber que muitas empresas já começavam a olhar para o tema antes mesmo da pandemia.
Ivone Matjas compartilhou que o Itaú iniciou movimentos importantes ainda em 2019, quando reformulou sua CIPA para incluir a saúde mental no centro das discussões. Inclusive, o CEO participou ativamente desse movimento, ajudando a quebrar tabus sobre o tema dentro da organização.
O objetivo era criar letramento e tornar o assunto mais acessível para lideranças e colaboradores.
Esse ponto apareceu diversas vezes durante o painel: a saúde mental precisa deixar de ser tratada apenas como reação ao problema.
Ela precisa entrar na estratégia da empresa antes que os sinais de adoecimento apareçam.
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Programas de saúde mental não precisam nascer grandes
Outro insight importante da palestra foi a ideia de começar pequeno.
Muitas empresas deixam de agir porque acreditam que precisam lançar programas enormes desde o início. Mas tanto Ivone quanto Adriana reforçaram que o mais importante é começar, testar, medir resultados e evoluir com consistência.
Ivone contou que o Itaú iniciou um piloto inspirado em referências da OMS para rastrear riscos relacionados à saúde mental e direcionar colaboradores para diferentes níveis de cuidado conforme o grau de necessidade identificado.
A lógica era simples: testar, aprender, ajustar e ampliar.
Já a Leroy Merlin iniciou a conversa ampliando o tema dentro das reuniões, acompanhando sinais de adoecimento, índices de afastamento e observando mais de perto a realidade das equipes em lojas e escritórios.
Com o tempo, o assunto deixou de ser visto como tabu e passou a fazer parte da rotina da empresa.
Esse talvez tenha sido um dos aprendizados mais humanos da conversa: quando as pessoas sentem segurança, elas começam a falar.
Confidencialidade é o que sustenta a confiança
Um dos pontos mais reforçados por Ivone foi a importância da confidencialidade.
Segundo ela, ninguém utiliza um programa de saúde mental de forma genuína se existir medo de exposição ou receio de que informações pessoais cheguem às lideranças.
Por isso, antes de esperar a adesão, é fundamental construir confiança.
Adriana compartilhou um dado que chamou atenção: a Leroy Merlin alcançou 98% de adesão em uma pesquisa relacionada à saúde mental. Para ela, esse resultado só foi possível porque os colaboradores confiaram no processo e entenderam que as informações seriam tratadas de forma segura e confidencial.
Essa fala trouxe uma reflexão importante para o RH: não existe cuidado real sem segurança psicológica.
Saúde mental também precisa ser analisada de forma coletiva
Outro ponto muito forte da conversa foi a provocação de que saúde mental não pode ser tratada apenas como uma questão individual.
Claro que o acolhimento individual é importante. Mas empresas que desejam construir uma agenda madura precisam olhar também para fatores estruturais que impactam diretamente a saúde emocional das equipes.
Durante o painel, as participantes citaram temas como:
- jornadas excessivas;
- pressão constante;
- liderança despreparada;
- excesso de carga de trabalho;
- problemas de comunicação;
- ambiente de trabalho tóxico;
- falta de equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Tudo isso aumenta os riscos psicossociais e afeta tanto a qualidade de vida quanto o desempenho no trabalho.
Por isso, empresas mais maduras acompanham indicadores como:
|
Indicadores |
O que ajudam a identificar |
|
Absenteísmo |
Sinais de adoecimento |
|
Turnover voluntário |
Desgaste e insatisfação |
|
Afastamentos |
Problemas de saúde mental |
|
Pesquisas de clima |
Segurança psicológica |
|
NPS interno |
Percepção sobre cultura |
|
Uso de plataformas de saúde |
Necessidade de apoio |
Além disso, Adriana destacou que o cuidado com colaboradores também impacta diretamente a marca empregadora e a atração de talentos.
O RH precisa falar a linguagem do negócio
Outro insight muito relevante da palestra foi a necessidade de o RH traduzir saúde mental para a linguagem do negócio.
Segundo Ivone, os dados não podem ficar restritos a relatórios técnicos ou conversas isoladas dentro do RH. Eles precisam estar conectados à realidade da empresa.
Isso significa mostrar como os problemas de saúde mental impactam diretamente:
- produtividade;
- engajamento;
- afastamentos;
- turnover;
- clima organizacional;
- perda de produtividade;
- desempenho no trabalho.
Além disso, a discussão precisa ir além dos benefícios corporativos.
É essencial olhar para:
- jornadas;
- turnos;
- liderança;
- organização do trabalho;
- pressão operacional;
- ambiente físico;
- equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Ou seja: saúde mental também faz parte da estratégia de organização.
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Lideranças precisam estar preparadas para essa conversa
Ao longo do painel, ficou evidente que muitas lideranças ainda não sabem lidar com questões relacionadas à saúde mental.
E isso não acontece por falta de interesse, mas muitas vezes por falta de preparo.
Por isso, as participantes reforçaram a importância do letramento das lideranças.
Os gestores precisam aprender a:
- identificar sinais de alerta;
- acolher colaboradores;
- conduzir conversas difíceis;
- reduzir estigmas;
- criar ambientes mais seguros.
Na prática, um programa de promoção da saúde mental não pode ficar isolado dentro do RH.
Ele precisa fazer parte da cultura da empresa e da rotina das lideranças.
RH sozinho não sustenta essa agenda
Outro ponto importante da conversa foi entender que saúde mental não deve ser responsabilidade exclusiva do RH.
Segundo Adriana, empresas que conseguem avançar nessa pauta constroem times multidisciplinares e envolvem diferentes áreas nas decisões.
Isso inclui:
- liderança;
- segurança do trabalho;
- saúde corporativa;
- comunicação;
- jurídico;
- áreas operacionais.
Ivone também reforçou uma recomendação prática que resume muito bem o tom da conversa: comece pequeno, acompanhe dados e evolua continuamente.
O principal aprendizado da palestra
A grande mensagem do painel foi clara: a saúde mental precisa sair do campo das ações isoladas e entrar definitivamente na gestão estratégica das empresas.
Programas efetivos combinam:
- confiança;
- confidencialidade;
- escuta;
- dados;
- prevenção;
- liderança;
- acompanhamento contínuo.
Mais do que oferecer apoio psicológico, as empresas precisam criar ambientes em que as pessoas consigam trabalhar com mais segurança emocional, equilíbrio e qualidade de vida.
Porque cuidar da saúde mental também significa fortalecer a cultura, prevenir riscos psicossociais e construir empresas mais sustentáveis.
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Cuidar da saúde mental também é construir empresas melhores
As empresas estão percebendo, cada vez mais, que produtividade sustentável não acontece sem cuidado genuíno com as pessoas.
No futuro do trabalho, saúde mental deixará de ser diferencial para se tornar parte essencial da estratégia das organizações.
E isso exige empresas mais preparadas para escutar, acompanhar indicadores, desenvolver lideranças e criar ambientes de trabalho mais humanos.
Aqui na Buk, acreditamos que tecnologia, gestão de pessoas e cuidado precisam caminhar juntos para transformar o mercado de RH e construir organizações mais saudáveis, produtivas e preparadas para o futuro.
Perguntas Frequentes
O que são riscos psicossociais?
São fatores presentes no ambiente de trabalho que podem impactar diretamente a saúde mental e emocional dos colaboradores, como pressão excessiva, jornadas intensas, conflitos, insegurança e liderança tóxica.
Por que a saúde mental é importante nas empresas?
Porque os transtornos mentais afetam produtividade, engajamento, clima organizacional, retenção de talentos e desempenho no trabalho.
O que a OMS fala sobre saúde mental no trabalho?
A Organização Mundial da Saúde alerta que problemas de saúde mental estão entre as principais causas de afastamento e perda de produtividade no ambiente corporativo.
Como promover saúde mental nas empresas?
Algumas ações incluem:
- implementar políticas de cuidado;
- capacitar lideranças;
- acompanhar indicadores;
- oferecer apoio psicológico;
- fortalecer a escuta ativa;
- criar ambientes psicologicamente seguros.
Qual o papel do RH na promoção da saúde mental?
O RH ajuda a estruturar programas de promoção da saúde mental, acompanhar dados, preparar lideranças e conectar o tema à estratégia do negócio.
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