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Jovem Aprendiz: o que é, idade, lei e checklist de contratação
Jovem Aprendiz é um modelo de contratação que combina trabalho com formação profissional, oferecendo a adolescentes e jovens seu primeiro contato com o mercado formal. Eles adquirem experiência inicial com a garantia de todos os direitos trabalhistas, além de acompanhamento educacional paralelo. Na prática, a empresa contrata por meio de um contrato de aprendizagem, vinculado a uma entidade formadora, com jornada e atividades compatíveis com o caráter formativo.
E o mercado tem aberto muitas oportunidades para essa modalidade. No 1º semestre de 2025, o Brasil registrou 69.878 jovens contratados via aprendizagem, um aumento de 18,6% em relação ao mesmo período de 2024 (58.919). Em junho de 2025, o número de aprendizes ativos chegava a 668.777, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.
Neste artigo, detalhamos a legislação que rege a contratação de jovens aprendizes, orientamos sobre como sua empresa pode efetivar essa contratação, e fornecemos um guia completo para sua equipe de RH garantir uma experiência enriquecedora e de valor, tanto para o jovem aprendiz quanto para a organização.
O que diz a legislação do Jovem Aprendiz (Lei da Aprendizagem)
A Lei da Aprendizagem, que deu origem ao programa Jovem Aprendiz, é um marco na legislação trabalhista brasileira. A base legal mais importante é a Lei nº 10.097, de 2000, que alterou a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para incluir e regulamentar a contratação de aprendizes.
Lei da aprendizagem: o que é, quando surgiu e como funciona?
O programa Jovem Aprendiz foi criado com o objetivo de promover a inclusão social e profissional de jovens, oferecendo a eles a primeira oportunidade de emprego, combinando formação teórica em instituições qualificadas e prática profissional nas empresas.
- Lançamento (2000): A Lei 10.097/2000 introduziu a obrigatoriedade de as empresas de médio e grande porte contratarem um percentual de aprendizes em relação ao total de seus empregados.
- Regulamentação e Consolidação (2000 em diante): Diversos decretos e portarias do governo federal foram emitidos para detalhar e ajustar as regras da aprendizagem, como a faixa etária, a duração do contrato, as regras para a jornada de trabalho e o tipo de formação oferecida.
- Atualização (Decreto 9.579/2018): Um marco regulatório mais recente foi o Decreto nº 9.579, de 2018, que consolidou diversas normas sobre a aprendizagem profissional, modernizando e unificando o conjunto de regras existentes.
Para líderes e gestores de RH, isso importa por 5 motivos:
- Conformidade Legal e Cotas: Garante o cumprimento da legislação vigente.
- Gestão de Risco: Assegura que contrato, jornada e atividades respeitem a finalidade formativa do programa.
- Estratégia de Talentos: A Estratégia de Talentos cria um pipeline consistente para atração e desenvolvimento de novos profissionais, fortalecendo o capital humano da empresa. Com o acompanhamento de desenvolvimento profissional, o gestor pode identificar e nutrir um talento para integrar permanentemente sua equipe.
- Imagem Corporativa: Constrói uma imagem positiva ao investir no futuro da mão de obra brasileira e da juventude.
- Responsabilidade Social e Marca Empregadora: Demonstra o compromisso da empresa com o desenvolvimento social e melhora a percepção da marca como empregadora.
Quem pode participar : Idade do jovem aprendiz
A idade mínima para o Jovem Aprendiz é 14 anos, e a máxima, 24 anos. Contudo, há prioridade para adolescentes (14 a 18 incompletos) em situações específicas e tratamento diferenciado para Pessoas com Deficiência (PCD), que podem não ter limite de idade, conforme regulamentação.
Do ponto de vista de RH, recomendamos:
- Validar idade e elegibilidade logo na triagem (início do funil).
- Alinhar com a entidade formadora as exigências de matrícula, frequência e a trilha de aprendizagem.
- Garantir que a descrição da vaga reflita o foco em aprendizagem, e não a substituição de um posto de trabalho regular.
Para conhecer melhor o programa, entender se sua organização se enquadra e quais são todos os requisitos para contratar um jovem aprendiz, o Ministério do Trabalho e Emprego disponibiliza um Manual de Aprendizagem Profissional, que pode ser consultado aqui.
O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados): Uma Ferramenta Estratégica para o RH
O Caged, agora na sua versão atual (Novo Caged), é um registro administrativo vital para o acompanhamento do emprego formal, disponibilizando dados oficiais como notas técnicas, tabelas e um painel via MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).
Para o RH, o monitoramento do Novo Caged oferece ganhos significativos, permitindo:
- Compreender a Dinâmica do Mercado Formal: Obter insights sobre o fluxo de admissões, desligamentos e o saldo geral de empregos.
- Ajustar Metas de Contratação: Calibrar estratégias de recrutamento e programas de entrada, como a aprendizagem profissional, com base em dados.
- Analisar Tendências: Comparar o desempenho e as tendências de emprego por Unidade da Federação (UF) e setor, por meio das tabelas e painéis disponíveis.
Importância para o Programa Jovem Aprendiz
O uso do Caged eleva a discussão sobre o Jovem Aprendiz para além da mera conformidade (compliance). Transforma-se em uma abordagem estratégica para o planejamento da força de trabalho e a formação de talentos, fundamentada em dados oficiais.
Um exemplo prático: O registro de 69.878 aprendizes contratados no 1º semestre de 2025 (+18,6%) e o recorde de 668.777 aprendizes ativos no estoque total são dados diretamente aplicáveis para dar suporte a decisões e a narrativas (storytelling) internas e externas.
O Papel da CTPS na Contratação do Jovem Aprendiz
A CTPS (Carteira de Trabalho e Previdência Social) é o documento essencial que registra a trajetória profissional do trabalhador, assegurando-lhe o acesso aos direitos trabalhistas previstos em lei. Atualmente, sua emissão é primariamente digital, vinculada ao CPF, com informações e serviços oficiais disponíveis no portal gov.br.
Para o setor de Recursos Humanos, é crucial que a contratação do jovem aprendiz seja conduzida com o mesmo rigor de registro e documentação de qualquer outro empregado. É fundamental, ainda, considerar as especificidades do contrato de aprendizagem e da entidade formadora.
A adoção de processos padronizados é vital para evitar qualquer discrepância entre os termos acordados (como jornada, atividades e curso) e o que é formalmente registrado no contrato.
Checklist: como contratar um jovem aprendiz na empresa
Este checklist conciso e objetivo visa auxiliar o departamento de RH/DP no processo de contratação de um jovem aprendiz, seguindo a legislação (Lei 10.097/2000 e Decreto 9.579/2018):
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Passo |
Ação Principal |
Detalhamento |
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1. |
Cálculo da Cota de Aprendizagem |
Verificar o enquadramento legal e calcular a cota obrigatória por estabelecimento (mínimo de 5% e máximo de 15% dos empregados, conforme as regras aplicáveis). |
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2. |
Definição da Vaga e Atividades |
Descrever a função e as atividades formativas de forma compatível com a aprendizagem, garantindo supervisão e objetivos de desenvolvimento claros. |
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3. |
Verificação da Elegibilidade |
Confirmar os requisitos do candidato: idade (entre 14 e 24 anos) e outros critérios específicos do programa (ex: Pessoa com Deficiência - PCD). |
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4. |
Seleção da Entidade Formadora |
Escolher uma entidade formadora devidamente habilitada e alinhar aspectos como calendário, carga horária e a trilha de formação profissional. |
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5. |
Formalização do Contrato |
Elaborar e formalizar o Contrato de Aprendizagem por escrito, detalhando função, atividades, jornada, duração e o vínculo com a formação profissional. |
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6. |
Jornada de Trabalho e Estudos |
Validar que a jornada de trabalho seja compatível com a frequência ao curso de formação e à escola regular (quando aplicável). |
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7. |
Parametrização de Direitos e Folha |
Assegurar a correta parametrização dos direitos e rotinas de folha de pagamento do aprendiz (remuneração, 13º salário, férias, etc.), conforme as diretrizes do programa. |
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8. |
Registro e Arquivo de Documentação |
Realizar o registro do aprendiz (na CTPS, destacando o papel no histórico laboral) e manter a guarda de evidências (matrícula, cronograma, frequência, avaliações) para fins de fiscalização e acompanhamento. |
Para ir além: um hub de conteúdos práticos para RH e DP
Contratar Jovem Aprendiz é mais do que cumprir uma exigência: é estruturar uma porta de entrada para o mercado formal com formação, acompanhamento e segurança para a empresa e para o jovem. Com atenção à Lei da Aprendizagem, aos critérios de idade, ao uso de dados do Caged para leitura de cenário e ao registro correto (incluindo CTPS), o RH transforma a contratação em um processo consistente, escalável e com impacto real.
Para se aprofundar em outras modalidades e rotinas de contratação e manter sua equipe sempre atualizada, visite o blog da Buk e inscreva-se para receber novos conteúdos a cada quinze dias. Sugerimos como próxima leitura o conteúdo: “Trabalho temporário na Black Friday e Natal: direitos e efetivação”.
Perguntas Frequentes
Jovem aprendiz: o que é?
O Jovem Aprendiz é um tipo de contrato de trabalho (contrato de aprendizagem) que une a prática profissional no ambiente de trabalho com a formação técnico-profissional. Possui regras próprias e exige um vínculo com uma instituição de ensino ou entidade formadora.
Qual a idade do jovem aprendiz?
Em regra, de 14 a 24 anos (há particularidades para PCD e prioridade para adolescentes em condições previstas).
Quais os requisitos de validade do contrato de AprendizagemProfissional?
Os requisitos de validade do Contrato de Aprendizagem Profissional são: anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS); matrícula e frequência do aprendiz à escola, caso ele ainda não tenha concluído o Ensino Médio; e inscrição do aprendiz em programa de Aprendizagem Profissional devidamente desenvolvido.
O que é Caged e por que o RH deve acompanhar?
O Caged (e o Novo Caged) reúne estatísticas do emprego formal e permite acompanhar admissões, desligamentos e tendências, apoiando o planejamento de contratações e programas de entrada.
O que é CTPS?
O CTPS é a Carteira de Trabalho e Previdência Social, que registra a vida profissional e dá acesso a direitos trabalhistas; hoje é emitida prioritariamente no formato digital.
Quantos jovens foram contratados como aprendizes recentemente (Caged/MTE)?
No 1º semestre de 2025, houve 69.878 novas contratações via aprendizagem, +18,6% vs. 2024, e 668.777 aprendizes ativos em junho/2025 (MTE).
Olá! Sou a Lorena, criadora de conteúdo na Buk. Amo escrever, contar histórias e traduzir mundos com propósitos tra...



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