Gestão de Pessoas / Tendências de RH
Fim da DIRF: o que muda com eSocial e EFD-Reinf em 2026
Se a DIRF representou por muito tempo o "grande acerto de contas" anual para o RH e a Folha de Pagamento, a partir de 2026 o cenário é outro. O controle agora é mais constante, mais interligado e menos tolerante ao acúmulo de erros. Esta mudança vai além da burocracia, impactando a rotina, a governança e, crucialmente, a confiança do colaborador, especialmente no período de declaração do Imposto de Renda.
A transição é definitiva: as informações antes reportadas na DIRF agora serão enviadas via eventos do eSocial e complementadas pela EFD-Reinf. Esse novo fluxo entra em vigor para os fatos geradores a partir de janeiro de 2025 (período de apuração 01/2025).
Com o fim da DIRF, a Receita Federal é clara: as empresas devem intensificar a atenção e o rigor com as obrigações do eSocial e da EFD-Reinf. Afinal, migrar para esse processo é fundamental, pois ele representa um método mais moderno, integrado e seguro para a prestação dessas declarações fiscais.
O que realmente muda na prática com e-social
A DIRF concentrava aquela dor de cabeça — e também a oportunidade de acerto fino — num único grande momento anual. Com a substituição, a regra do jogo mudou: a lógica agora é de fluxo contínuo. Em vez de “fechar o ano e conferir”, sua empresa precisa operar com consistência mês a mês, como um piloto automático bem calibrado: dados corretos na origem, conferência recorrente e correções rápidas antes que virem retrabalho. Em resumo: a partir de 2026, a entrega da sua obrigação fiscal passa a ser mensal, e não mais anual.
E aqui entra um ponto que costuma ser subestimado: essa mudança não é só fiscal — ela é de experiência do colaborador. Quando os dados não batem (rendimentos, retenções, rubricas, dependentes), quem sente primeiro é a pessoa do outro lado: insegurança, ruído, dúvidas, retrabalho e perda de confiança. Por isso, em 2026, o papel do DP e da Folha não é “apenas transmitir”: é garantir consistência mês a mês, corrigir desvios antes que virem histórico e transformar a conferência em rotina. No fim, a empresa ganha previsibilidade e o colaborador ganha tranquilidade, e é essa combinação que sustenta confiança no RH.
📌 Insight prático: com o fluxo mensal mais consistente, o informe de rendimentos deixa de ser uma corrida de última hora. Plataformas de RH integradas à folha ajudam a manter bases e retenções alinhadas ao longo do ano e permitem automatizar a geração e o envio do informe aos colaboradores (com histórico e rastreabilidade), reduzindo chamados, dúvidas e retrabalho no período do IR.
O novo timing: a conferência de dados agora é mensal (e isso precisa virar protocolo)
Com a substituição da DIRF, o que muda de verdade é o peso do cruzamento de dados: antes, muita empresa montava esse quebra-cabeça no fim do ano; agora, todo mês chega uma peça — e ela precisa encaixar perfeitamente nas anteriores. Por isso, divergência não pode mais virar “ajuste de fim de ciclo”. O jogo agora é ritmo e previsibilidade: em 2026, a conferência precisa ser mensal, rigorosa e inegociável, porque um erro pequeno repetido por alguns meses vira histórico, encarece a correção e amplia o risco operacional quando os dados começam a se contradizer.
Por quê? Porque erro pequeno repetido mês após mês vira bola de neve. Um detalhe cadastral, uma rubrica sem classificação validada, um pagamento retroativo mal registrado ou uma inconsistência entre “calculado” e “pago” pode até passar despercebido em um mês. Mas acumulado, vira custo — financeiro, operacional e de conformidade — e se torna muito mais complexo (e desgastante) de ajustar depois.
Do “arquivo único” para dois canais oficiais de informação
Com o fim da DIRF, a prestação de informações deixou de ser um grande envio anual e passou a acontecer por dois canais oficiais (pense como duas rotas de transmissão) que rodam mês a mês o ano todo: eSocial e EFD-Reinf.
Onde declarar cada informação: eSocial ou EFD-Reinf?
eSocial, o canal do trabalhador e da folha
Aqui ficam as informações ligadas à relação com o colaborador e ao ciclo de folha/pagamento, incluindo:
- Vínculo e eventos de RH: admissões, afastamentos, férias, desligamentos e demais eventos trabalhistas.
- Remuneração e folha: salários, proventos/descontos, rubricas e bases.
- Pagamentos de rendimentos do trabalho: com destaque para o S-1210, que consolida o que foi efetivamente pago e sustenta consistências com retenções e bases.
- Encargos/retenções vinculadas ao trabalhador: apurações e informações relacionadas ao que incide sobre a folha (conforme o conjunto de eventos aplicável à empresa).
EFD-Reinf, o canal das retenções e relações fora do eSocial
Aqui entram as informações que precisam ser declaradas fora do eSocial, principalmente em rotinas de retenções/tributos em cenários específicos, incluindo:
- Retenções em pagamentos (ex.: regras aplicáveis a serviços contratados, fornecedores e operações entre empresas).
- Eventos da série R-4000: estrutura usada para reportar retenções e informações correlatas dentro da Reinf.
- Integração com Fiscal/Contábil: o que foi pago, retido e classificado precisa bater com a escrituração e o recolhimento.
Por que acompanhar a mudança
O ponto crucial não é "para onde enviar a informação", mas sim garantir que os dados sejam gerados corretamente e permaneçam consistentes ao longo do mês.
Com rubricas alinhadas e integrações confiáveis, o eSocial e o Reinf se tornam rotas previsíveis. Quando a base não está correta, qualquer pequena divergência se repete, acumula e gera um retrabalho.
É exatamente por isso que o próximo passo, não é apenas "treinar o time": é preparar a mudança com tecnologia, automatizando validações, corrigindo erros na origem e estabelecendo uma rotina mensal de conferência que não dependa de esforço extra da área de DP/Folha.
Como se preparar com tecnologia e time
Para 2026, o caminho mais seguro é adotar uma era de dados integrados. Isso significa que Folha, DP, Fiscal e Tecnologia devem operar em um fluxo único, eliminando "vazios" — aqueles pontos cegos onde a informação vira planilha e retorna como erro no mês seguinte.
Na prática, isso exige uma operação de ponta a ponta: tecnologia já conectada ao eSocial e à EFD-Reinf, com validações e rastreabilidade, junto com um time que domina as regras e sustenta uma rotina mensal bem definida. O ganho não é só menos retrabalho: é governança de dados, mais previsibilidade para a empresa e mais segurança para o colaborador.
Duas alavancas que fazem a diferença
1) Tecnologia conectada de ponta a ponta
Priorize soluções que integrem Folha + RH + eventos em um único fluxo, com:
- integração nativa com eSocial e EFD-Reinf (sem “exportar/importar” manual — o envio acontece direto entre seu software de RH e os sistemas do governo);
- validações automáticas de cadastros, rubricas e incidências antes do envio;
- rastreabilidade de ajustes (quem alterou, por quê e em qual competência);
- monitoramento de pendências e rejeições, com alertas e trilha clara de correção.
O objetivo não é “ter mais sistemas”. É ter um sistema realmente integrado, conectado aos sistemas do governo — e que reduza erro antes mesmo de ele aparecer.
2) Time treinado e atualizado (com ritmo mensal)
Tecnologia sem rotina não entrega todo o potencial. O time precisa operar com:
- checklist mensal padrão (curto e obrigatório);
- clareza de organograma e responsabilidades, com um responsável claro pela consistência (o “dono” do fechamento);
- treinamento de upskilling focado nos cenários que mais geram risco: retroativos, rescisões, rubricas novas/alteradas, afastamentos e ajustes de cadastro.
Oportunidade de evoluir para uma operação conectada e previsível
O fim da DIRF marca uma virada positiva: em 2026, a gestão de informações deixa de ser um “grande evento anual” e passa a funcionar como um processo contínuo, conectado e muito mais previsível. Quando Folha, DP, Fiscal e Tecnologia trabalham no mesmo fluxo — com dados consistentes desde a origem — o mês fecha com menos ruído, menos retrabalho e muito mais controle.
É por isso que é um bom momento para mapear ferramentas que integrem a operação ao eSocial e à EFD-Reinf de forma nativa, com validações automáticas, rastreabilidade de ajustes e acompanhamento de pendências. Na prática, essas soluções ajudam o time a trabalhar com mais segurança e clareza, evitando que informações “se percam” no caminho e virem correções repetidas no mês seguinte.
O resultado é simples — e poderoso: fechamentos mais leves, dados mais confiáveis e uma experiência melhor para o colaborador, que passa a ter mais consistência nas informações que aparecem ao longo do ano. Com tecnologia certa e um time bem treinado, essa mudança deixa de ser uma adaptação e vira um passo natural para um RH mais moderno: menos improviso, mais governança e decisões melhores com base em dados.
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Perguntas Frequentes
A DIRF acabou? O que substitui a DIRF em 2026?
Sim. A DIRF foi substituída para fatos geradores a partir de 01/2025, e em 2026 a rotina já é totalmente baseada em eSocial + EFD-Reinf. Na prática, sai o “envio anual” e entra um fluxo mensal de eventos e conferência. Para não virar retrabalho, o ideal é operar com um sistema que já consolide Folha, cadastros e eventos e faça as validações antes do envio.
Qual a diferença entre eSocial e EFD-Reinf na substituição da DIRF?
Pense em duas rotas: o eSocial concentra o que é do universo do trabalhador e da folha (vínculo, remuneração, bases, pagamentos como o S-1210), enquanto a EFD-Reinf cobre as rotinas de retenções/tributos em cenários específicos, muito comuns em relações com PJ (eventos da série R-4000). Essa divisão exige consistência mensal — e fica muito mais simples quando a empresa usa uma plataforma integrada, sem planilhas no meio.
O que é o evento S-1210 e por que ele virou tão importante?
O S-1210 é o evento do eSocial ligado aos pagamentos de rendimentos do trabalho. Ele ajuda a consolidar o que foi efetivamente pago e dá base para cruzamentos de consistência ao longo do ano. Por isso, erro de cadastro, rubrica ou “calculado vs pago” aparece com mais frequência. Um sistema integrado reduz esse risco com rastreabilidade e validações automáticas antes da transmissão.
O fim da DIRF muda algo no informe de rendimentos?
O informe continua sendo essencial para o colaborador, mas o que muda é o bastidor: com informações organizadas mês a mês, fica muito mais fácil manter consistência e automatizar a geração e o envio do informe via plataforma de RH, reduzindo erros e tickets no período do Imposto de Renda.
A conferência de dados agora precisa ser mensal?
Sim, a conferência mensal vira parte do fechamento. O ideal é estabelecer um rito fixo: validar cadastros críticos, rubricas novas/alteradas, retroativos/rescisões e conciliar "calculado vs pago". Um software que centralize dados, registre alterações e mostre pendências em um painel facilita muito essa revisão.
Como escolher um sistema integrado ao eSocial e à EFD-Reinf (o que avaliar)?
Busque, no mínimo: integração nativa (sem exportar/importar manual), validações antes do envio, rastreabilidade de ajustes, monitoramento de pendências/rejeições e boa governança de rubricas e cadastros. Se a solução ainda depende de planilhas para “fechar a conta” todo mês, o processo tende a ficar pesado. Um sistema realmente integrado transforma a obrigação mensal em previsibilidade operacional — com menos ruído para o time e mais confiança nos dados.
Olá! Sou a Lorena, criadora de conteúdo na Buk. Amo escrever, contar histórias e traduzir mundos com propósitos tra...


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