Gestão de Pessoas / Tendências de RH
O que são riscos psicossociais no trabalho e como o RH pode geri-los?
Se você está organizando o seu RH para cumprir as novas diretrizes da NR-1, a norma regulamentadora que determina as regras de saúde e segurança de trabalho, a recomendação é não fazer isso sozinho. Envolver todas as pontas da empresa, inclusive as lideranças, vai ser essencial para cumprir o primeiro passo exigido pela atualização da norma: mapear os riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Neste conteúdo, você vai entender o que são riscos psicossociais no trabalho, como avaliar e identificar esses riscos, e como geri-los.
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O que riscos psicossociais no trabalho têm a ver com a NR-1?
A NR-1 é a norma-mãe de todas as demais normas regulamentadoras do trabalho no Brasil e define as regras de segurança física dos trabalhadores. A partir de 2026, a norma passa a considerar também a saúde mental como fator de risco ocupacional.
Na prática, as empresas precisam incluir esses riscos psicossociais no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e também definir um plano de ação para combatê-los. Ou seja, além de identificar esses riscos, a empresa precisa documentá-los, controlá-los e reduzi-los.
Nesse processo, a organização tem que considerar as condições de trabalho nos termos da Norma Regulamentadora nº 17 (NR-17). Essa norma estrutura as condições de trabalho em cinco áreas: organização do trabalho; levantamento, transporte e descarga de materiais; mobiliário dos postos de trabalho; trabalho com máquinas, equipamentos e ferramentas manuais; e condições de conforto no ambiente de trabalho.
De acordo com o Ministério do Trabalho, os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho se encaixam no pilar de organização do trabalho da NR-17.
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O que são riscos psicossociais no trabalho?
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), risco psicossocial é “qualquer aspecto da organização ou gestão do trabalho que aumente o risco de estresse".
A OIT diz que, embora o estresse em si não constitua uma lesão física ou psicológica, a resposta ao estresse inclui as reações físicas, mentais e emocionais que ocorrem quando um trabalhador percebe que as exigências do trabalho excedem sua capacidade ou recursos para lidar com elas.
Já o Ministério do Trabalho reforça que só devem ser considerados riscos psicossociais no âmbito das normas de trabalho aqueles “perigos decorrentes de problemas na concepção, na organização e na gestão do trabalho, que podem gerar efeitos na saúde do trabalhador em nível psicológico, físico e social, como por exemplo o desencadeamento ou agravamento de estresse no trabalho, esgotamento, depressão, DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), entre outros”.
Quais são os principais riscos psicossociais no trabalho?
O Ministério do Trabalho elencou alguns exemplos de riscos psicossociais no trabalho, de acordo com as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho.
Assédio de qualquer natureza no trabalho
Assédios no trabalho, seja moral ou até físico, têm alto risco de gerar transtorno mental no trabalhador.
Má gestão de mudanças organizacionais
Mudanças mal conduzidas geram insegurança, resistência e desorganização no trabalho. E tudo isso pode levar a transtornos mentais, fadiga e também a DORTs ((Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho).
Baixa clareza de papel e função
Quando a pessoa não entende bem seu papel, surgem dúvidas, erros, retrabalho e muita insegurança que pode levar a transtornos mentais.
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Baixas recompensas e reconhecimento
Falta de reconhecimento faz o colaborador se sentir desvalorizado e desmotivado. E isso agrava ou gera transtornos mentais.
Falta de suporte e apoio no trabalho
A ausência de apoio da liderança ou equipe aumenta o estresse e a sensação de abandono que causam transtornos mentais ou agravam as condições existentes.
Baixo controle no trabalho ou falta de autonomia
Pouca autonomia e muito microgerenciamento reduzem o engajamento e a sensação de controle sobre o próprio trabalho. Aqui, além de transtornos mentais, esse risco psicossocial pode causar DORT.
Baixa justiça organizacional
Percepções de injustiça geram insatisfação, desconfiança e queda de desempenho, e geram ou agravam transtornos mentais.
Eventos violentos ou traumáticos
Situações extremas, como violência física, impactam diretamente a saúde física, mental e o bem-estar do colaborador.
Baixa demanda no trabalho (subcarga)
Pouco trabalho pode gerar tédio, desmotivação e sensação de inutilidade que levam a transtornos mentais.
Excesso de demandas no trabalho (sobrecarga)
Muitas tarefas aumentam o estresse e o risco de esgotamento, que levam a transtornos mentais e a DORTs.
Relacionamentos ruins no local de trabalho
Conflitos e relações ruins entre colegas e também com a liderança prejudicam o clima e a colaboração. E todo esse clima gera ou agrava transtornos mentais.
Trabalho em condições de difícil comunicação
Dificuldades de comunicação entre colegas e áreas, e também com a liderança geram ruídos, erros e isolamento.
Trabalho remoto e isolado
O isolamento pode reduzir o senso de pertencimento e aumentar a solidão no trabalho que leva a transtorno mental e fadiga.
Conteúdo do trabalho e estruturação das tarefas
Falta de variedade no trabalho, subutilização de competências ou qualificação insuficiente para o trabalho leva a um sentimento de insuficiência e tédio.
Falta de participação e de voz
A participação limitada na decisão sobre o próprio trabalho pode levar a sensação de não ser ouvido e considerado, que gera transtorno mental.
Ambiente e equipamentos
Equipamentos e recursos inseguros, más condições físicas de trabalho (como iluminação inadequada, ruído excessivo, ergonomia deficiente) também afetam a saúde mental dos trabalhadores.
Cultura organizacional
Objetivos organizacionais pouco claros, comunicação deficiente, cultura que permite discriminação ou abuso leva a transtornos mentais e à fadiga.
Desenvolvimento de carreira
Promoção insuficiente ou excessiva, insegurança no emprego, baixo investimento em desenvolvimento, procedimentos punitivos para ausências por doença e gestão de desempenho também são riscos psicossociais que levam a transtornos.
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Interação entre vida pessoal e profissional
Exigências conflitantes entre vida pessoal e profissional também geram problemas na saúde mental dos profissionais.
Como avaliar os riscos psicossociais no trabalho?
Para o Ministério, avaliar os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho é identificar quais os fatores da atividade de trabalho são estressores, que podem levar à ocorrência de lesões ou agravos à saúde do trabalhador.
“Não se trata de verificar sintomas individuais ou sensação do que está ocorrendo no trabalhador, ou de medir algum sinal biológico, por exemplo, mas de se verificar as condições de trabalho a que ele está submetido", considera o Ministério.
Como identificar os riscos psicossociais no trabalho?
Para atender à NR-1, as empresas precisam identificar e registrar os riscos psicossociais. E isso inclui o levantamento de informações do estabelecimento, do processo produtivo, dos postos de trabalho e dos trabalhadores.
De maneira geral, as empresas precisam seguir algumas etapas para conseguir identificar essas questões:
- Levantar os diferentes setores, as etapas da produção, as atividades realizadas, as características dos trabalhadores. Ou seja, organizar o perfil da empresa e dos profissionais.
- Reunir informações sobre o acompanhamento de saúde dos trabalhadores, análise de acidentes e avaliações de análises anteriores.
- Definir se todo o processo será feito por meio de um time de especialistas ou time multidisciplinar interno.
- Com essas informações, os profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho definem a abordagem e o processo de identificação dos riscos psicossociais, desde que essa abordagem alcance todas as atividades da empresa.
- Também é necessário verificar os critérios utilizados no processo de avaliação. Eles devem ser detalhados em documento para que fiquem claros para todos os profissionais da empresa.
- Escolher a estratégia de identificação e avaliação dos fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, que podem incluir conversas com os trabalhadores, pesquisas padronizadas e a combinação de várias ferramentas.
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Quais ferramentas a empresa pode usar para identificar os riscos psicossociais no trabalho?
A NR-1 não define ferramentas específicas para identificar, controlar e gerenciar os riscos psicossociais. O que o Ministério do Trabalho reforça é que, independentemente da escolha, as empresas precisam considerar dois pontos:
- Garantir um ambiente seguro e de confiança: para que o colaborador possa compartilhar as questões reais que estão afetando a atividade de trabalho.
- Garantir o anonimato: caso a empresa decida utilizar alguma pesquisa, o Ministério do Trabalho recomenda que se mantenha o anonimato do trabalhador.
Como gerir os riscos psicossociais no trabalho?
Para gerir os riscos psicossociais no trabalho, o Ministério do Trabalho afirma que é necessário observar as regras da NR-1 de forma combinada com a NR-17.
De acordo com a NR-17, a gestão de ergonomia é obrigatória para todas as organizações
e situações de trabalho. A gestão da ergonomia inclui os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho.
Além disso, as organizações devem adotar as medidas necessárias para avaliar e
melhorar o desempenho em segurança do trabalho, utilizando a abordagem do tipo PDCA (Plan - Planejar, Do - Fazer, Check - Checar e Act - agir).
Gestão de riscos psicossociais: mais ação e menos discurso
Com a NR-1, os riscos psicossociais no trabalho deixam de ser tema de discurso e passam a ser tema de ações tangíveis. O desafio das empresas pode não ser identificar esses fatores, mas transformar esses dados em ações e essas ações em resultados que afetem de verdade o ambiente de trabalho.
Outro desafio é envolver toda a empresa nesse processo e garantir que ele seja contínuo. Mais do que políticas no papel, é preciso olhar para a experiência real das pessoas e atuar de forma contínua, com base em escuta ativa e dados.
Na prática, isso significa sair do discurso e assumir a responsabilidade de construir ambientes mais saudáveis, onde o trabalho não seja fonte constante de estresse, mas sim de desenvolvimento e realização. Empresas que fazem isso não apenas reduzem riscos ou impedem multas pelo descumprimento da nova NR-1, mas fortalecem a cultura, aumentam o engajamento e os resultados.
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Perguntas Frequentes
O que são riscos psicossociais no trabalho?
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), risco psicossocial é “qualquer aspecto da organização ou gestão do trabalho que aumente o risco de estresse".
Quais são os principais riscos psicossociais no trabalho?
O Ministério do Trabalho elencou alguns exemplos de riscos psicossociais no trabalho, de acordo com as diretrizes da Organização Internacional do Trabalho, como assédio, baixa clareza de papel, falta de suporte, isolamento, baixa justiça organizacional, cultura organizacional truncada e outros relacionados neste conteúdo.
Como avaliar os riscos psicossociais no trabalho?
Para o Ministério, avaliar os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho é identificar quais os fatores da atividade de trabalho são estressores, que podem levar à ocorrência de lesões ou agravos à saúde do trabalhador.
Como identificar os riscos psicossociais no trabalho?
Para atender à NR-1, as empresas precisam identificar e registrar os riscos psicossociais. E isso inclui o levantamento de informações do estabelecimento, do processo produtivo, dos postos de trabalho e dos trabalhadores.
Como gerir os riscos psicossociais no trabalho?
Para gerir os riscos psicossociais no trabalho, o Ministério do Trabalho afirma que é necessário observar as regras da NR-1 de forma combinada com a NR-17.
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