Folha de Pagamento / Tendências de RH
Como fica a folha com o fim da escala 6x1? Especialista da Buk explica
Leonardo Paoluci, Customer Onboarding Executive da Buk, explica o impacto real no cálculo do salário-hora e o efeito dominó na conta de horas extras, DSR e outros adicionais.
O fim da escala 6x1 entrou na fase final de discussão no Congresso Nacional. Depois de ser aprovada na Câmara dos Deputados, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais está na mesa do Senado. Se a casa aprovar o texto sem alterações, as novas regras passam a valer. Nesse cenário, como fica a folha de pagamento?
Embora a proposta reforce que não pode ocorrer redução salarial com a diminuição da jornada, o cálculo da folha de pagamento vai mudar. Para explicar na prática o que muda, o Blog da Buk conversou com Leonardo Paoluci, Customer Onboarding Executive da Buk.
O profissional tem mais de 10 anos de experiência em RH e Departamento Pessoal e vai te explicar tudo o que você precisa saber para preparar a sua folha de pagamento com o fim da escala 6x1.
Leia também: Fim da escala 6x1: o que falta para começar a valer?
Qual é o impacto real do fim da escala 6x1 na folha de pagamento?
A PEC que está no Senado reduz o limite da jornada de trabalho no País de 44 horas para 40 horas semanais, mas por etapas. Primeiro, esse teto passará para 42 horas após 60 dias depois da aprovação da emenda constitucional. Depois de 14 meses após a aprovação da PEC, a nova carga máxima de trabalho por semana no Brasil será definitivamente de 40 horas.
Mesmo com essa redução, a proposta assegura a manutenção do salário nominal dos trabalhadores, o que significa que o valor hora do colaborador precisará ser recalculado, impactando diretamente o provisionamento de folha de pagamento.
“Como os salários não são reduzidos proporcionalmente à diminuição da jornada, cada hora passa a ter um valor maior para a empresa", afirma Leonardo Paoluci, da Buk.
Leia também: Escala 4x3: entenda como funciona e se ela foi aprovada no Brasil
Aumento dos custos na folha de pagamento
Com o fim da escala 6x1, alguns setores devem sentir um aumento nos custos da folha de pagamento. Paoluci cita um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) que projeta alta de até 21% nos custos da folha do comércio, o setor que mais emprega no País. A confederação estima que a adequação à nova regra pode gerar R$ 122,4 bilhões em custos anuais para o setor.
“O comércio não tem como absorver um aumento dessa magnitude sem repassar preços, reduzir margens, cortar postos de trabalho ou restringir dias de funcionamento”, explicou, em nota, o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes.
Segundo o levantamento, o turismo é um dos setores mais vulneráveis às mudanças na jornada de trabalho e deve ter um aumento de 54% nos custos da folha.
“No turismo não existe operação totalmente eletrônica. O setor é intensivo em mão de obra e funciona continuamente. Qualquer rigidez na jornada compromete a oferta e a qualidade do serviço”, disse Bentes, em nota.
O que muda na prática?
“Na prática, itens como horas extras, adicional noturno, DSR, férias, 13º salário e FGTS precisarão ser recalculados com base na nova jornada de referência. Sistemas de ponto e folha também precisarão ser atualizados e parametrizados para as novas jornadas, folgas e compensações", explica Paoluci, da Buk.
Entenda, a seguir, os novos parâmetros da folha de pagamento com o fim da escala 6x1.
Reorganização dos turnos e revisão do quadro de funcionários
De acordo com Paoluci, setores como varejo, indústria, saúde e logística operam com cobertura todos os dias da semana, o que torna a adaptação mais complexa, o que exigirá uma revisão mais detalhada dos turnos e até mesmo do quadro de funcionários.
“Será necessário avaliar novas contratações, especialmente em turnos contínuos e atendimento presencial, para manter a cobertura operacional. As escalas de fim de semana precisarão ser reorganizadas para garantir dois dias consecutivos de descanso, e contratos de terceirização com fornecimento contínuo de mão de obra também deverão ser revistos", afirma o especialista da Buk.
Com o fim da escala 6x1, as empresas serão obrigadas a contratar mais funcionários?
Depende do modelo de operação do negócio. Como explicou Paoluci, da Buk, em setores em que os postos de trabalho demandam cobertura contínua de 6 ou 7 dias por semana, como atendimento hospitalar, hotelaria, segurança e comércio varejista, a redução da jornada individual exigirá o redesenho das escalas de revezamento.
Para manter a mesma capacidade operacional diária, muitas empresas precisarão reestruturar o headcount e realizar novas contratações para cobrir os dias de folga adicionais dos colaboradores atuais.
A matemática do DP: o impacto no valor do salário-hora
Com o quadro revisto, é hora de analisar a folha de pagamento. E o primeiro impacto do fim da escala 6x1 na folha é no cálculo do salário-hora, que ficará mais caro.
Para encontrar o salário-hora atual na jornada padrão, o DP adota a seguinte fórmula clássica:
Salário-Hora = Salário Nominal / Horas totais trabalhadas no mês
Se a jornada passar a ser, por exemplo, de 40 horas semanais, o total de horas trabalhadas passa de 220 horas (44 horas semanais atuais multiplicado por cinco semanas) para 200 horas.
Exemplo prático
Para afastar de vez a teoria e entender como o fluxo financeiro da sua empresa é impactado, vamos analisar um estudo de caso fictício baseado nas dores reais do mercado de médias empresas.
Imagine uma rede de lojas que tem 50 colaboradores que trabalham como atendentes na escala 6x1. Cada colaborador recebe um salário base de R$ 2.200 por mês para cumprir a jornada constitucional de 44 horas semanais (220).
Abaixo, entenda como a matemática da folha se comporta na transição da jornada atual (44h semanais) para a nova jornada proposta de 40h semanais (200h por mês), mantendo o salário nominal intacto:
|
Indicador Trabalhista |
Cenário Atual |
Cenário Futuro |
Variação Percentual |
|
Salário Base Nominal |
R$ 2.200 |
R$ 2.200 |
- |
|
Jornada Semanal |
44 horas |
40 horas |
-9% na jornada |
|
Divisor Mensal do DP |
220 |
200 |
-9% no total de horas/mês |
|
Valor do Salário-Hora |
R$ 10,00 |
R$ 11 |
+10% no valor da hora trabalhada |
Como se nota, o valor da hora de trabalho do colaborador aumentou 10%. Para o cálculo do salário fixo no final do mês, a conta fecha no mesmo valor. Mas o que acontece se esse mesmo colaborador precisar estender o turno ou trabalhar em um dia de feriado? É aqui que a gestão de custos se torna complexa.
O efeito dominó: como ficam horas extras e adicionais com o fim da escala 6x1?
“O banco de horas vigente foi estruturado com base nas regras da jornada 6x1, e uma mudança na escala impacta diretamente os limites de acúmulo e compensação. Acordos coletivos que sustentam esses bancos também podem precisar de atualização", explica Paoluci, da Buk.
“Será necessário revisar o banco de horas para verificar se o modelo atual ainda comporta compensações dentro das novas regras, e a negociação com sindicatos será decisiva para definir como ficam as escalas especiais durante a transição. Os saldos já acumulados também precisarão ser equacionados para evitar inconsistências no encerramento do modelo anterior", diz.
Exemplo prático
Na prática, como a hora trabalhada ficou mais cara, todas as verbas da folha de pagamento que utilizam o salário-hora como base de cálculo sofrerão um reajuste automático e proporcional.
Vamos calcular o custo de uma hora extra realizada pelo mesmo funcionário do nosso estudo de caso, aplicando o adicional mínimo constitucional de 50%.
Cálculo no Cenário Atual (44h / 220h totais no mês):
- Valor da hora normal: R$ 10
- Valor da hora extra (com +50%): R$ 10 x 1,50 = R$ 15
Cálculo no Novo Cenário (40h / Divisor 200):
- Valor da hora normal: R$ 11
- Valor da hora extra (com +50%): R$ 11 x 1,50 = R$ 16,50
Se o time de operações da sua empresa mantiver o mesmo volume de horas extras atual para cobrir os buracos de escala após a mudança, o custo total dessa subirá 10%. Esse mesmo peso financeiro será replicado em outros indicadores e encargos vitais:
- Adicional Noturno: o acréscimo de no mínimo 20% sobre a hora normal (Art. 73 da CLT) será calculado sobre uma base 10% maior.
- Descanso Semanal Remunerado (DSR) sobre horas extras: o reflexo do DSR acompanha o valor total das horas extras pagas no mês, elevando os custos de provisão de forma integrada.
- Encargos sociais e trabalhistas: como a base de cálculo das variáveis subiu, o recolhimento do FGTS (8%), a contribuição previdenciária patronal (INSS) e as provisões de férias e 13º salário sobre as variáveis vão encarecer na mesma proporção.
Como recalcular a folha na prática com o fim da escala 6x1?
Para evitar passivos trabalhistas graves e garantir a segurança jurídica, o Departamento Pessoal precisará atualizar os parâmetros de seus sistemas de gestão, como recomendou Paoluci, assim que o fim da escala 6x1 começar a valer.
“O principal ponto de atenção é garantir que todos os processos sejam atualizados de forma sincronizada, evitando inconsistências que possam gerar obrigações não previstas. Descumprimentos podem gerar cobranças de horas extras, descanso semanal não concedido e indenizações", alerta Paoluci.
Ele explica que o Departamento Pessoal precisará atuar em frentes simultâneas para:
- Revisar contratos e acordos coletivos;
- Atualizar sistemas;
- Recalcular a estrutura de remuneração;
- Capacitar lideranças para que compreendam as novas escalas, limites e implicações do descumprimento.
“Um planejamento estruturado da transição é o que permite que cada etapa seja executada dentro dos prazos corretos", aconselha o especialista da Buk.
Passo a Passo para recalcular a folha
1. Identifique e monitore as Convenções Coletivas do seu setor
A transição legal por meio de PEC costuma fixar regras gerais, mas os termos de transição, bancos de horas e compensações específicas passam obrigatoriamente pelas negociações coletivas.
2. Atualize os parâmetros do seu sistema
Não confie em atualizações manuais por planilhas. O divisor de horas deve ser alterado no cadastro de cargos e salários do seu software de folha de pagamento para garantir um cálculo automático.
Com o software de folha de pagamento da Buk você elimina planilhas e automatiza todos os cálculos. Calcule a sua folha em minutos.
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3. Ajuste o controle de ponto eletrônico
As regras de tolerância, limites diários de jornada (que continuam sendo de até 2 horas extras diárias, conforme o Art. 59 da CLT) e parametrizações de banco de horas precisam ser revisadas no sistema de ponto eletrônico para espelhar a nova grade de folgas.
Não espere a legislação mudar de forma definitiva para começar a planejar o futuro operacional da sua organização. O mercado brasileiro premia as empresas que agem com previsibilidade e infraestrutura tecnológica moderna.
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Perguntas Frequentes
O que falta para o fim da escala 6x1 virar lei de verdade?
Muitos gestores estão em pânico achando que a escala 6x1 acabou a partir de hoje. Calma, o processo legislativo brasileiro possui ritos rígidos. Depois de aprovada pela Câmara, a PEC segue para o Senado Federal, onde passará novamente por comissões especiais e por mais dois turnos de votação no plenário, onde precisará de 49 votos favoráveis para ser aprovada. Depois de aprovada, a PEC deve estabelecer um prazo de adaptação para as empresas.
Como calcular o valor do salário-hora após o fim da escala 6x1?
Para calcular o novo valor do salário-hora, o Departamento Pessoal deve dividir o salário nominal fixo pelo novo divisor de horas correspondente à jornada adotada.
O que muda no cálculo do DSR com o fim da escala 6x1?
O direito ao DSR de pelo menos 24 horas consecutivas continua garantido pela Lei nº 605/1949 e pela Constituição. O que muda na prática é a proporção de dias trabalhados em relação aos dias de descanso dentro da semana. Em uma escala de trabalho menor (como a 5x2 ou 4x3), o colaborador passa a contar com mais dias de folga semanais, o que altera os parâmetros de apuração e integração de horas extras e variáveis sobre o DSR dentro do mês comercial.
O valor da hora extra muda com a nova escala de trabalho?
Sim. Como a redução da jornada mensal sem redução salarial eleva o valor do salário-hora, a base de cálculo da hora extra aumenta. Consequentemente, cada hora extra computada na folha de pagamento custará mais caro para a empresa a partir da transição do modelo.
O fim da escala 6x1 reduz o salário do trabalhador?
Não. De acordo com a Constituição Federal brasileira (Art. 7º, VI), o salário do trabalhador é irredutível. Portanto, a PEC que prevê o fim da escala 6x1 impõe a redução da jornada semanal de trabalho mantendo o mesmo valor de salário nominal fixo pago mensalmente ao colaborador..
Olá! Sou Camila Mendonça, jornalista e especialista de conteúdo na Buk. Tenho mais de 10 anos de experiência em ass...


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