Gestão de Pessoas / Tendências de RH
Copa do Mundo 2026: o que o RH precisa saber para definir o expediente
Se você gerencia equipes ou lidera uma empresa, já planejou como vai ser a Copa do Mundo 2026 no que diz respeito à rotina e jornada de trabalho? Diferentemente do Catar, em 2022, onde as partidas aconteciam pela manhã ou no meio da tarde, o calendário da Copa do Mundo 2026 traz uma dinâmica bem diferente, com os jogos da seleção brasileira concentrados no período noturno pelo horário de Brasília.
Sua empresa está juridicamente segura e operacionalmente pronta para lidar com a jornada dos colaboradores nesses dias? Ignorar o impacto institucional da Copa ou aplicar regras sem o devido amparo legal é um passaporte para a sobrecarga do RH, ruídos no clima organizacional e potenciais riscos trabalhistas.
É por isso que, neste texto, você vai entender as regras que você pode seguir nos dias dos jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo 2026.
Quando será a Copa do Mundo 2026?
A Copa do Mundo 2026 acontecerá entre os dias 11 de junho e 19 de julho de 2026, com uma estrutura inédita dividida entre três países-sede: Estados Unidos, México e Canadá.
Calendário da seleção e o choque com a jornada de trabalho
Para estruturar qualquer política interna, a primeira etapa é checar o cronograma oficial dos jogos. A FIFA já detalhou os horários dos jogos da Copa do Mundo 2026 para a fase de grupos.
A seleção brasileira jogará as três primeiras partidas nos seguintes dias e horários (de Brasília):
- 13 de junho (Sábado), às 19h: Brasil x Marrocos (Nova York/Nova Jersey)
- 19 de junho (Sexta-feira), às 21h30: Brasil x Haiti (Filadélfia)
- 24 de junho (Quarta-feira), às 19h: Escócia x Brasil (Miami)
Qual o impacto da Copa do Mundo nos diferentes turnos de trabalho?
Se a sua empresa opera exclusivamente em horário comercial (das 8h às 18h), os jogos na fase de grupos parecem não interferir no expediente regular. A depender da empresa é possível liberar os funcionários mais cedo para que cheguem em casa a tempo das partidas.
Mas como ficam as indústrias, comércios, empresas de tecnologia (suporte e plantão) e setores de serviços com jornadas 12x36 ou turnos noturnos? E o que acontece se o Brasil avançar para o mata-mata e jogar mais cedo?
É exatamente nos desdobramentos da tabela que o RH precisa agir preventivamente e criar uma política uniforme para evitar o tratamento desigual entre equipes e mitigar conflitos internos.
O que diz a CLT sobre o expediente de jogos da Copa?
Existe um mito cultural muito forte no Brasil de que os dias de jogos da seleção são, automaticamente, feriados ou pontos facultativos. Mas não é bem assim: a legislação trabalhista brasileira não dita regras para nenhum tipo de jogo e não há regras ou normativas que afirmem que os dias de jogos da Copa do Mundo sejam feriados.
Segundo o Artigo 58 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a duração normal do trabalho permanece inalterada, salvo disposição expressa em contrário. Como aponta a análise do portal jurídico Jusbrasil, as organizações não têm nenhuma obrigação legal de paralisar suas atividades, dispensar colaboradores ou alterar a folha de pagamento por conta do evento esportivo.
Ou seja, na prática, quem faz as regras é a própria empresa, desde que essas regras não interfiram na legislação trabalhista ou em acordos coletivos e individuais.
O poder diretivo e seus limites
Com base no poder diretivo assegurado ao empregador, a empresa pode optar por manter o expediente rigorosamente normal, sem qualquer tipo de concessão ou transmissão interna. No entanto, é fundamental ponderar: qual é o custo intangível disso para o engajamento e o clima organizacional?
De acordo com o estudo Market Guide for Workforce Management Applications da consultoria global Gartner, a flexibilidade e a autonomia de escala são pilares de sobrevivência para o mercado atual: a pesquisa apontou que funcionários que possuem acesso em tempo real a ferramentas flexíveis de escala e feedback são 2,3 vezes mais propensos a permanecer em seus empregos por pelo menos 12 meses.
Ou seja, forçar uma operação rígida enquanto o país para pode desencadear picos de absenteísmo (as famosas faltas injustificadas), presenteísmo (o colaborador está fisicamente ali, mas sua mente e produtividade estão no jogo) e uma forte desconexão com a liderança.
Como flexibilizar o expediente em dias de jogo?
Se o objetivo é equilibrar a conformidade legal com a alta performance do negócio, o Blog da Buk dá quatro caminhos estratégicos possíveis.
1. Transmissão interna (manutenção do expediente)
A empresa decide parar as atividades apenas durante os 90 minutos da partida (mais o intervalo), reunindo o time em um espaço comum para assistir ao jogo, retomando o trabalho logo em seguida.
- Cenário Prático: uma empresa de desenvolvimento de software de médio porte instala telões na área de convivência para o jogo de quarta-feira às 19h, oferece petiscos aos colaboradores que possuem jornada estendida ou regime de plantão.
- Regra de Ouro: esse período de interrupção temporária, por liberalidade do empregador, é considerado tempo à disposição da empresa (Artigo 4º da CLT). Portanto, o salário corre normalmente e não há desconto ou exigência de compensação posterior. Além disso, deve haver isonomia, ou seja, a oportunidade dada a um setor deve ser estendida aos demais, respeitadas as limitações das atividades essenciais.
2. Dispensa parcial com compensação de horas
A organização encerra o expediente mais cedo, inicia o expediente noturno mais tarde ou permite que o trabalhador saia temporariamente para assistir ao jogo em casa, exigindo que essas horas sejam recuperadas em outro momento.
- Apoio legal: essa opção é amparada pelo Artigo 59 da CLT, que diz que o acordo de compensação de jornada pode ser feito de forma individual e por escrito, desde que as horas sejam compensadas dentro do mesmo mês calendário.
- Atenção aos detalhes: a CLT limita a compensação a, no máximo, 2 horas extras diárias. Portanto, se o colaborador foi dispensado 3 horas mais cedo, ele não poderá repor tudo em um único dia.
3. Utilização do banco de horas
Após a Reforma Trabalhista, o Artigo 59, parágrafo 5º da CLT, validou o banco de horas por acordo individual escrito, desde que a compensação ocorra no período máximo de 6 meses. Se a sua empresa utiliza um prazo maior (de até 1 ano), o sistema exige obrigatoriamente a chancela do sindicato por meio de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) ou Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), conforme as diretrizes tradicionais do Artigo 59, parágrafo 2º da CLT.
Imagine uma empresa que possui banco de horas via acordo coletivo. Ela liberou o turno da noite duas horas mais cedo para o jogo de sexta-feira às 22h. Os funcionários tiveram essas duas horas debitadas de seus saldos positivos acumulados no quadrimestre anterior, sem qualquer impacto financeiro na folha de pagamento do mês.
4. Trabalho Remoto excepcional (Home Office)
Para empresas que operam em modelo presencial ou híbrido, permitir que os colaboradores realizem suas atividades em home office especificamente nos dias de jogo reduz o estresse com o trânsito e os deslocamentos apressados perto do horário das partidas. Trata-se de uma estratégia de alto valor percebido e custo zero de implementação.
Respeito a quem não quer participar
Nem todo mundo gosta de futebol ou quer acompanhar os jogos da Copa do Mundo. Por isso, independentemente do que o RH definiu para os dias de jogos, ele deve respeitar aqueles que querem seguir o expediente normal. Esse respeito é ainda mais importante nos casos em que o RH organiza jogos no escritório. Não obrigue os funcionários a participarem desse momento.
Gestão de riscos trabalhistas na Copa do Mundo 2026
A empolgação com o torneio não pode abrir margem para falhas processuais no Departamento Pessoal. Abaixo, a Buk detalhou os pontos críticos de atenção jurídica para proteger a empresa contra passivos durante esse período:
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Situação |
Consequência |
Amparo legal |
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Falta injustificada em dia de jogo |
Desconto do dia de ausência na folha de pagamento e perda do valor do DSR correspondente àquela semana. |
Artigo 6º da Lei nº 605/1949 (que exige a frequência integral na semana para direito ao DSR) e Decreto nº 27.048/1949, Artigo 1º. |
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Aplicação de Medidas Disciplinares por ausência injustificada |
Possibilidade de aplicar advertência verbal ou escrita. Em caso de reincidência crônica ou conduta desidiosa, cabe a suspensão. |
Artigo 482, alínea "e" da CLT (caracterização de desídia/desleixo com as obrigações contratuais). |
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Ultrapassar o limite de compensação de horas (ex: repor 3 horas no mesmo dia) |
Descaracterização do regime de compensação daquele dia, gerando a obrigação de pagar o período excedente como hora extra cheia. |
Artigo 59 da CLT (fixa o limite intransponível de até 2 horas extras diárias). |
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Consumo de álcool durante a transmissão interna na empresa |
Demissão por justa causa, caso o colaborador se apresente em estado de embriaguez que comprometa a segurança ou a atividade profissional. |
Artigo 482, alínea "f" da CLT (embriaguez habitual ou em serviço). |
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Restrição do uso de celular na linha de produção / postos essenciais durante o jogo |
Legítima, desde que prevista em regulamento e comunicada previamente, evitando acidentes de trabalho. |
Artigo 2º da CLT (Poder Diretivo e de fiscalização do empregador sobre o ambiente de trabalho). |
Faltas, atrasos e medidas disciplinares
O funcionário que simplesmente não comparecer ou se ausentar sem autorização prévia está sujeito às penalidades habituais da CLT. Neste caso, o empregador tem o direito de aplicar advertências verbais ou escritas e, em caso de reincidência ou conduta grave, suspensões.
É fundamental que as lideranças tenham bom senso, mas sejam firmes na aplicação das normas institucionais.
Álcool e comportamento no ambiente corporativo
Se a sua empresa escolher transmitir os jogos internamente como uma ação de Employee Experience, estabeleça diretrizes explícitas sobre o consumo de bebidas alcoólicas.
A embriaguez em serviço é falta grave e está prevista no Artigo 482 da CLT. O ideal é emitir um comunicado prévio reforçando que a celebração é uma extensão do ambiente profissional e exige postura ética e respeitosa.
O papel da tecnologia na escala e na comunicação
Acompanhar saldos de banco de horas, redigir aditivos contratuais individuais para compensação de jornada de centenas de funcionários, gerenciar escalas diferenciadas de atendimento durante a Copa do Mundo, comunicar as regras e códigos de Conduta para assistir aos jogos na empresa pode se tornar um pesadelo operacional se o seu DP ainda depende de planilhas manuais e processos descentralizados.
É aqui que uma plataforma integrada de gestão de pessoas, como a da Buk, transforma riscos em eficiência de negócio. Centralizar as solicitações de folga, gerenciar o controle de ponto eletrônico em tempo real e automatizar o cálculo do banco de horas assegura que as regras definidas sejam cumpridas à risca, oferecendo aos diretores e C-Levels total visibilidade sobre os custos de jornada e a conformidade legal da operação.
Além disso, garantir que todas as regras e definições sejam comunicadas de forma clara é essencial para não ocorrer ruído. Ter uma plataforma que garanta que essa comunicação seja feita de forma simples e para todos os funcionários é o ideal. Na Buk, por exemplo, o Portal do Colaborador funciona como uma rede social. Nele, o RH pode compartilhar todas as informações e regras para os dias de jogos da Copa do Mundo.
Conheça a Buk e saiba como ela te ajuda a sair do manual
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Perguntas Frequentes
Dia de jogo do Brasil na Copa do Mundo 2026 é considerado feriado nacional?
Não. A legislação brasileira não prevê feriado ou dispensa automática para os trabalhadores em dias de partidas da Seleção Brasileira na Copa do Mundo ou de qualquer outro jogo. A jornada de trabalho segue a normalidade prevista no contrato individual, cabendo estritamente ao empregador decidir por qualquer tipo de flexibilização ou dispensa.
A empresa pode exigir que os funcionários compensem as horas dos jogos?
Sim. Caso a empresa decida liberar os colaboradores mais cedo ou suspender as atividades durante as transmissões, ela pode exigir a compensação posterior dessas horas. Para ter validade jurídica, essa compensação deve respeitar o limite máximo de duas horas extras diárias e estar devidamente formalizada por meio de acordo de compensação mensal (individual, por escrito) ou via banco de horas (conforme regras vigentes na empresa ou sindicato).
O funcionário que faltar sem autorização para assistir ao jogo pode ser demitido por justa causa?
Uma única falta isolada motivada pelos jogos da Copa do Mundo geralmente não é suficiente para configurar a justa causa de imediato, pois a jurisprudência trabalhista exige gradação de penalidades. No entanto, o empregador tem o direito legal de descontar o dia de salário, retirar o valor do Repouso Semanal Remunerado (DSR) e aplicar medidas disciplinares proporcionais, como advertências escritas e suspensões.
Empresas que adotam o regime de home office precisam parar as atividades na hora do jogo?
Não. As regras de produtividade e entrega estipuladas para o teletrabalho continuam valendo integralmente durante a Copa do Mundo. Mudanças de horário, pausas ou liberação de metas nesses dias específicos dependem exclusivamente de uma determinação oficial da liderança da empresa e de suas políticas internas de gestão.
Os trabalhadores são obrigados a seguirem as atividades propostas para a Copa do Mundo?
Nem todo mundo gosta de futebol ou quer acompanhar os jogos da Copa do Mundo. Por isso, independentemente do que o RH definiu para os dias de jogos, ele deve respeitar aqueles que querem seguir o expediente normal. Esse respeito é ainda mais importante nos casos em que o RH organiza jogos no escritório. Não obrigue os funcionários a participarem desse momento.
Olá! Sou Camila Mendonça, jornalista e especialista de conteúdo na Buk. Tenho mais de 10 anos de experiência em ass...


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