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Entenda a PEC das horas trabalhadas e a relação com o fim da escala 6x1
Agora, o Senado tem duas propostas sobre jornada de trabalho para analisar: a PEC que dá fim a escala 6x1 e a PEC das horas trabalhadas.
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que dá fim à escala 6x1 (PEC 221/2019) não é a única proposta que quer alterar a jornada de trabalho no país. Uma outra proposta, a PEC 11/2026, está sendo analisada pelo Senado. Chamada de PEC das horas trabalhadas, a proposta quer garantir flexibilidade de jornada.
Neste conteúdo, você vai entender a proposta desse novo projeto, o que ele tem a ver com o fim da escala 6x1 e se existe chances dessa ideia avançar no Congresso Nacional.
Leia também: Qual o impacto do fim da escala 6x1 na folha de pagamento?
Por que a jornada de trabalho virou o debate da vez?
O debate sobre a jornada de trabalho não é um movimento isolado do Brasil. Consultorias globais, como a Gartner e a McKinsey, mostram que a flexibilização do modelo de trabalho e o foco na saúde mental são prioridades inegociáveis para as principais lideranças de RH nos próximos anos.
A busca por equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixou de ser um benefício corporativo "bonito no papel" e transformou-se em fator crítico para retenção de talentos e sustentabilidade operacional.
No Brasil, o estopim desse debate foi a mobilização em torno da PEC que visa extinguir a escala 6x1 (aquela em que o colaborador trabalha seis dias e folga um) e que propõe a transição para modelos como 5x2 e até 4x3, sem redução salarial.
No entanto, alguns setores têm reagido com preocupações sobre o aumento de custos na folha de pagamento, especialmente aqueles que funcionam naturalmente na escala 6x1, como comércio, serviços e hotelaria.
A proposta que dá fim à escala 6x1 foi aprovada pela Câmara dos Deputados e aguarda a análise do Senado. Nesse meio tempo, uma nova proposta nasceu no Senado: a PEC das horas trabalhadas.
O que é a PEC das horas trabalhadas?
Apresentada em maio de 2026, a PEC 11/2026 propõe uma alteração profunda no inciso XIII do artigo 7º da Constituição Federal. A ideia central é mudar a base de cálculo e a rigidez da jornada de trabalho no país, conforme divulgado oficialmente pela Agência Senado.
Na prática, pela proposta, seria possível escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. Dessa forma, o empregador pagaria apenas as horas trabalhadas e direitos como FGTS, férias e décimo terceiro salário seriam proporcionais.
A proposta estabelece um valor mínimo para a hora trabalhada no regime de jornada flexível, calculado proporcionalmente ao salário mínimo nacional ou ao piso da categoria, com base na jornada máxima de 44 horas semanais.
Segundo o argumento da proposta, “esses dispositivos garantem que o trabalhador, ao optar por uma jornada ajustada, receba uma remuneração justa e adequada ao valor mínimo estabelecido por lei ou pela categoria profissional".
Além disso, a PEC afirma que o contrato individual vai prevalecer sobre possíveis acordos coletivos.
A diferença conceitual para o RH
Atualmente, a CLT e a Constituição definem um padrão diário e semanal fixo. A proposta defende que, ao focar na "hora trabalhada" e permitir que acordos moldem essa distribuição, as empresas e os trabalhadores ganham autonomia para desenhar escalas sob medida.
Contudo, não há estudos que provam que essa possível autonomia seja benéfica para o empregador ou para o trabalhador.
Além disso, o fato de acordos individuais prevalecerem sobre acordos coletivos, como prevê a proposta, pode prejudicar o controle de jornada. Se cada funcionário ou grupo de funcionários de uma empresa trabalhar sob um regime diferente, fica ainda mais complexo fechar essa folha de pagamento. Saiba mais a seguir.
Qual o impacto da PEC das horas trabalhadas na folha de pagamento?
Se a flexibilização por hora for aprovada, a complexidade do Departamento Pessoal vai triplicar.
Imagine o cenário prático de uma empresa do setor de varejo de médio porte com 300 colaboradores. Se cada setor puder negociar uma distribuição de horas diferente via acordo coletivo, como o seu DP vai gerenciar isso sem um sistema robusto?
Os principais riscos operacionais que tiram o sono dos gestores incluem:
- Insegurança jurídica por erro de cálculo: controlar horas extras, adicionais noturnos e intervalos intrajornada em escalas hiperflexíveis usando planilhas manuais é o caminho mais rápido para auditorias e passivos trabalhistas.
- Sobrecarga operacional (apagar incêndios): o time de DP passará o mês inteiro fechando inconsistências de ponto eletrônico em vez de atuar estrategicamente com os líderes de área.
Para que a flexibilização seja sinônimo de eficiência de negócio, a tecnologia de ponto e gestão de pessoas precisa ser preditiva e integrada. Plataformas como a Buk unificam toda a jornada do colaborador, automatizando o cálculo de folhas complexas e oferecendo painéis de People Analytics em tempo real para que a liderança tome decisões baseadas em dados estruturados, e não em suposições.
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PEC 11/2026 e o fim da escala 6x1: quais são as diferenças?
É fundamental que o profissional de DP não confunda as duas propostas. Elas correm em vias paralelas e possuem filosofias operacionais completamente distintas.
Para facilitar a visualização e apoiar a análise estratégica, sintetizamos as diferenças no quadro abaixo:
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Critério de comparação |
PEC do fim da Escala 6x1 |
PEC das horas trabalhadas |
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Foco principal |
Redução da quantidade de dias trabalhados na semana (fim do modelo 6x1). |
Flexibilização da distribuição da jornada, focando no valor da hora e na negociação. |
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Mecanismo de alteração |
Reduz o teto semanal de horas trabalhadas, de 44h por semana para 40h, garantindo dois dias de folga consecutivos, sem alteração salarial. |
Mantém o teto de 44h semanais, mas permite que acordos definam como e quando essas horas serão cumpridas. |
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Impacto no custo da folha de pagamento |
Aumento do custo da hora trabalhada e necessidade de novas contratações, segundo entidades que representam os setores de comércio, serviços e indústria. |
Não há estudos sobre o impacto no custo da folha de pagamento. |
O argumento por trás da flexibilização
De acordo com o texto da PEC 11/2026, a proposta quer promover a “liberdade de escolha e o poder de decisão para o trabalhador, permitindo que ele determine sua jornada e remuneração proporcional”.
O texto ainda afirma que essa abordagem “moderniza as relações de trabalho, respeitando a autonomia do trabalhador e proporcionando maior flexibilidade para adaptar-se a diferentes contextos e necessidades.”
A PEC, contudo, não apresenta estudos que comprovem que esse caminho moderniza as relações de trabalho.
O que está valendo: a PEC do fim da escala 6x1 ou das horas trabalhadas?
As duas propostas são válidas e estão sendo analisadas pelo Senado. A diferença é que a proposta que dá fim à escala 6x1 já passou por comissões e pelo plenário da Câmara dos Deputados. Caso seja aprovada pelo Senado, ela já passa a valer.
Já a proposta das horas trabalhadas foi criada no Senado e ainda vai passar por todo o rito de tramitação: análise de comissões no Senado, votação em plenário para, depois, ir para a Câmara dos Deputados para ser analisada e votada.
Portanto, não há mudança imediata nas regras do jogo. O que sua empresa precisa fazer agora não é alterar contratos, mas sim preparar o terreno operacional e tecnológico para os cenários que se desenham no horizonte.
Além disso, como analistas e gestores de RH bem sabem, nenhuma lei trabalhista muda do dia para a noite.
Como preparar seu RH para o futuro das jornadas?
Independentemente de qual proposta avance no Congresso Nacional, uma tendência é clara: o modelo vigente está com os dias contados. O futuro do trabalho exige adaptabilidade, conformidade e, acima de tudo, eficiência.
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Perguntas Frequentes
O que muda com a PEC das horas trabalhadas?
Nada, por enquanto. Uma PEC é uma proposta de emenda à constituição e precisa passar por uma avaliação do Congresso Nacional para passar a valer, e isso leva tempo. O que essa PEC propõe é flexibilizar a jornada de trabalho no Brasil, permitindo que a duração do trabalho seja estipulada por hora trabalhada por meio de acordos ou convenções coletivas.
A PEC das horas trabalhadas acaba com a escala 6x1?
Não diretamente. Enquanto a PEC do fim da escala 6x1 quer proibir por lei que o funcionário trabalhe 6 dias seguidos, a PEC das horas trabalhadas foca em dar liberdade de negociação de jornada. Se aprovada, uma empresa e seu sindicato poderiam criar uma jornada que, na prática, extinguiria a necessidade do modelo 6x1 tradicional, adaptando-se à realidade daquela operação.
A PEC das horas trabalhadas já está valendo?
Não, nem a PEC das horas trabalhadas e nem a PEC da escala 6x1 estão valendo. A PEC das horas trabalhadas está em fase inicial de tramitação no Senado Federal. Para entrar em vigor, ela precisa passar por comissões temáticas e ser aprovada em dois turnos de votação tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. Já a PEC que dá fim à escala 6x1 já passou pela Câmara e, agora, está na fila de análise do Senado.
Se a PEC das horas trabalhadas for aprovada, o trabalhador pode perder direitos?
O texto da proposta reforça o respeito aos limites e direitos já previstos no artigo 7º da Constituição Federal e diz que o pagamento do salário mínimo será proporcional ao tempo trabalhado, garantindo que o valor da hora seja respeitado legalmente.
O que é melhor: a PEC das horas trabalhadas ou a do fim da escala 6x1?
Não existe resposta certa para esta pergunta. Para respondê-la, é necessário entender o mercado, o setor e a dinâmica da empresa.
Olá! Sou Camila Mendonça, jornalista e especialista de conteúdo na Buk. Tenho mais de 10 anos de experiência em ass...


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