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Fim da escala 6x1: entenda os argumentos pró e contra a proposta

O fim da escala 6x1 passará a valer oficialmente no país. Até a aprovação acontecer, o debate em torno da proposta movimentou o mercado. Saiba o que dizem aqueles que defendem e quem é contra a proposta, que já foi aprovada no Congresso Nacional.

Imagem com fundo azul mostra uma mulher branca observando um calendário que está em cima de uma mesa.

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| 15 outubro, 2026


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Fim da escala 6x1: entenda os argumentos pró e contra a proposta
14:24

 

 

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou os holofotes e as mesas de discussão de lideranças e profissionais de RH. No centro da pauta está a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que deu fim da escala 6x1, modelo em que o colaborador trabalha seis dias consecutivos e tem apenas um dia de folga.

 

A medida, que foi aprovada no dia 14 de outubro pelo Senado e que agora passará a valer oficialmente no país, movimentou o mercado. Mesmo aprovada, nem todos os setores da economia estão satisfeitos com as mudanças de jornada de trabalho.

 

O que está realmente em jogo? Como essa mudança pode impactar a sustentabilidade financeira das empresas e a gestão operacional das equipes? Para você entender melhor a discussão, elencamos os argumentos pró e contra o fim da escala 6x1 que estão sendo usados por organizações e associações setoriais.

 

Leia também: Fim da escala 6x1: o que muda na folha de pagamento?     

 

Fim da escala 6x1: argumentos a favor da mudança 

Os principais argumentos que colocaram o fim da escala 6x1 em pauta são os relacionados à saúde mental e física dos trabalhadores. E não é para menos: O número de trabalhadores afastados pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) por transtornos mentais só cresceu e atingiu mais de 546 mil pessoas em 2025, um aumento de 15,66% em comparação a 2024.

 

Segundo dados da Previdência Social, enviados ao G1, os afastamentos do trabalho especificamente por burnout saltaram de 823 em 2021 para 7.595 em 2025, o que representa uma alta de 823%.

 

Diante disso, movimentos ao redor do mundo começaram a crescer em torno da pergunta: será que o modelo de carga horária desenhado na década de 1940 ainda atende às necessidades de uma sociedade hiperconectada e digital?

 

Globalmente, movimentos como o 4 Day Week Global defendem a jornada 4x3, com o argumento de que trabalhar 4 dias e descansar 3 não só mitiga os riscos psicossociais no trabalho, como também atua diretamente no aumento da produtividade e na eficiência operacional das companhias.

 

Saiba mais sobre os argumentos a favor do fim da escala 6x1.

1. Redução do burnout e absenteísmo

Mais tempo de descanso atua diretamente na diminuição de doenças ocupacionais. Com duas folgas semanais consecutivas e remuneradas, como prevê as novas regras que deram fim à escala 6x1, o colaborador tem maior janela para recuperação física e mental, o que reflete na queda de faltas e nos custos com o plano de saúde da empresa.

 

Segundo um artigo do Cesit (Centro de estudos sindicais e economia do trabalho), da Unicamp (Universidade de Campinas), há uma relação direta entre jornadas extenuantes e adoecimento físico e mental do trabalhador. Além disso, os pesquisadores afirmam que a jornada atual já prejudica o futuro do trabalho.

 

Eles citam um estudo realizado pela Fiocruz com jovens de 15 a 29 anos que mostrou que o número de notificações de jovens com transtorno mental relativo ao trabalho é maior entre os jovens de 25 a 29 anos e que as principais causas são estresse pós-traumático, transtornos de adaptação, transtorno misto ansioso e depressivo e ansiedade generalizada associados ao trabalho.

2. Aumento da produtividade por hora trabalhada

Ao contrário do que muita gente imagina, trabalhar menos dias pode, sim, aumentar a produtividade. É o que mostraram os resultados do projeto-piloto da escala de 4x3 no Brasil, realizado pela organização 4 Day Week Global em parceria com a FGV-EAESP e a consultoria Reconnect Happiness at Work.

 

O projeto revelou que 61,5% dos trabalhadores que trabalharam na escala 4x3 observaram melhorias na execução de projetos; 44,4% relataram maior capacidade de cumprir prazos e 62,7% experimentaram redução no estresse corporativo.

 

Essa melhoria percebida pelos trabalhadores resultou em aumento de receita: 72% das empresas que participaram do projeto-piloto registraram aumento na receita durante o período do teste.

3. Custos operacionais pouco elevados

Um dos fortes argumentos da parcela da sociedade que é contra o fim da escala 6x1 é econômico: há o temor de aumento nos custos da folha de pagamento. Contudo, um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) revelou que esse aumento seria similar aos impactos observados em reajustes históricos do salário-mínimo no Brasil.

 

De acordo com o estudo, a redução da jornada de trabalho elevaria o custo médio do trabalhador CLT em 7,84% no caso de uma jornada de 40 horas semanais. Porém, ponderando os resultados pelo peso do trabalho no custo total de cada setor, as estimativas indicam efeitos reduzidos nos custos totais.

 

Nos grandes setores com forte geração de empregos, como a indústria e o comércio, o efeito estimado é inferior a 1% do custo operacional total, o que indica maior capacidade de absorção de eventuais mudanças na jornada.

4. Criação de novos empregos

Outro estudo do Cesit, da Unicamp, mostra que a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais resultaria na criação de até 4,5 milhões de novos empregos e elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no Brasil.

 

A proposta de 36 horas semanais não é a que foi aprovada pelo Congresso Nacional. Existem diferentes Projetos de Lei e PECs sobre jornada de trabalho em discussão, inclusive um que prevê a redução de 44 horas para 36 horas.

 

O que foi aprovado, no entanto, é a PEC que reduz de 44 horas de trabalho por semana para 40 horas por semana, de forma gradual.

5. Atração e retenção de talentos

Em um mercado altamente competitivo, o "benefício do tempo" se transforma em um poderoso diferencial competitivo de Employer Branding, reduzindo taxas de turnover voluntário e atraindo profissionais mais qualificados.

Fim da escala 6x1: argumentos contra a mudança

Entidades de classe e associações patronais manifestam preocupação com o impacto financeiro imediato da medida na folha de pagamento e na competitividade do mercado. Isso porque o mercado brasileiro possui particularidades logísticas e tributárias complexas.

 

Para os setores de comércio, serviços e indústrias com linhas de produção ininterruptas, alterar a escala exige uma reengenharia de custos e de escala de pessoal que preocupa os tomadores de decisão.

 

Setores que tradicionalmente trabalham em uma escala intensa devem sentir o maior impacto na redução de jornada. Segundo um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Brasil possui 57,8 milhões de empregos formais, dos quais 31,5 milhões seriam afetados pela mudança de jornada.

 

De acordo com o estudo, 93% dos trabalhadores do comércio varejista e 92% do atacado trabalham acima de 40 horas semanais. Ou seja, alterar a dinâmica desses setores, de acordo com as associações representativas, afetaria a dinâmica dos maiores empregadores do País e aumentaria os custos não apenas operacionais, mas para o consumidor final. Entenda melhor esses argumentos a seguir.

1. Elevação do custo operacional e da folha de pagamento

Para manter o atendimento em estabelecimentos que operam de domingo a domingo, como supermercados, shoppings, farmácias e hotéis, as empresas serão obrigadas a contratar mais mão de obra para cobrir os dias de folga.

 

O estudo da CNC projeta alta de até 21% nos custos da folha de pagamento do comércio, o setor que mais emprega no País. A confederação estima que a adequação à nova regra pode gerar R$ 122,4 bilhões em custos anuais para o setor. No setor de serviços, o impacto estimado é de R$ 235 bilhões.

“O comércio não tem como absorver um aumento dessa magnitude sem repassar preços, reduzir margens, cortar postos de trabalho ou restringir dias de funcionamento”, explicou, em nota, o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes.

 

Segundo o levantamento, o turismo é um dos setores mais vulneráveis às mudanças na jornada de trabalho e deve ter um aumento de 54% nos custos da folha.

2. Aumento de preços para o consumidor

Custos operacionais maiores representam preços maiores na ponta. Esse aumento no custo da folha de pagamento pode ser repassado ao consumidor final, gerando pressões inflacionárias, o chamado “efeito-preço".

 

O estudo da CNC mostra que, no longo prazo, uma variação de 1% na massa salarial do comércio gera um repasse médio de 0,6% aos preços ao consumidor final, já controlados por impactos dinâmicos de vendas, preços no atacado, sazonalidades, ciclos econômicos e tendências.

 

Dessa forma, um choque de 21% na folha de pagamentos desse setor, que é o impacto projetado com o fim da escala 6x1, implicaria em aumento estimado de 13% nos preços ao consumidor final.

 

Em entrevista ao Estadão, o presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, afirma que, com a medida, os restaurantes precisariam reajustar os preços em cerca de 7% para compensar o aumento da folha salarial.

3. Redução de empregos e aumento da informalidade

Custos maiores e vendas menores iniciam um ciclo negativo para a economia. De acordo com a CNC, o fim da escala 6x1 pode resultar em 631 mil empregos formais a menos no curto e médio prazos.

 

Segundo o estudo, como a legislação impede a redução da remuneração nominal do trabalho, a adequação à nova regra “demandaria hipóteses de demissão e readmissão, além da necessidade de contratações adicionais para manter o funcionamento regular dos estabelecimentos".

 

Uma projeção feita pela FIEMG (Federação das Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) mostra que, num cenário em que há uma redução da jornada para até 40 horas semanais, sem ganhos de produtividade, o país poderá perder até 18 milhões de empregos e ter uma redução de até R$ 480 bilhões na massa salarial.

 

Já considerando um cenário moderado, com aumento de 1% na produtividade, as perdas de empregos podem chegar a 16 milhões, com impacto negativo de R$ 428 bilhões na renda dos trabalhadores.

4. Fechamento de pequenos e médios negócios

Outro argumento de quem é contra o fim da escala 6x1 é o impacto do aumento dos custos operacionais nas pequenas e médias empresas.

 

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) disse, em nota, que a redução da jornada de trabalho, sem aumento de produtividade ou redução do “custo Brasil, “resultará, inevitavelmente, em pressões inflacionárias e perda de competitividade. Tais medidas impactam severamente a sustentabilidade de pequenas e médias empresas, devendo gerar retração econômica, fechamento de postos de trabalho formais e o avanço da informalidade".

 

Além disso, a federação diz que a proposta compromete a autonomia do mercado. “O engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores”, disse, em nota, Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

5. Redução do PIB

O fim da escala 6x1 pode também reduzir a produção de riquezas no país, dizem as organizações que são contra o fim desse tipo de jornada. O estudo da FIEMG mostrou que, em um cenário em que não há aumento de produtividade, o país pode reduzir em 16% o PIB (Produto Interno Produto) nacional, com uma queda de até R$ 2,9 trilhões no faturamento dos setores produtivos.

 

“Antes de discutir a redução da jornada de trabalho, o Brasil precisa enfrentar o seu maior desafio: a baixa produtividade. O trabalhador brasileiro produz, em média, apenas 23% do que um trabalhador dos Estados Unidos. Reduzir o tempo de trabalho sem elevar a produtividade é uma conta que não fecha e coloca em risco milhões de empregos”, explicou, em nota, o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio.

O fim da escala 6x1 é bom ou ruim para o mercado?

Não existe “bom ou ruim” quando o assunto é mercado de trabalho e economia. Cada setor funciona de um jeito e tem necessidades específicas. As consequências reais da redução da jornada só serão claras quando as empresas, de fato, adotarem um novo modelo. O que já é claro é que os dados nacionais e internacionais são unânimes em alertar sobre os impactos físicos e mentais do excesso de trabalho, e essa discussão não tem mais volta.

 

Para os decisores e gestores de RH, focar em eficiência operacional de processos e na centralização de dados é o caminho para mitigar possíveis prejuízos decorrentes da mudança da jornada, que está prevista para começar a valer, de forma gradual, ainda em 2026. O que é possível fazer agora é:

 

  • Automatizar a gestão de ponto: planilhas manuais geram brechas para passivos trabalhistas. Contar com um controle de ponto eletrônico robusto e integrado permite simular escalas diferenciadas, prever cenários de banco de horas e monitorar o cumprimento das regras sem sobrecarga operacional.
  • Implementar a cultura baseada em entregas, não em horas: a transição para novos formatos exige maturidade da liderança e ferramentas modernas de avaliação de desempenho que mensurem resultados reais obtidos pelas equipes e não apenas o tempo em que o colaborador esteve na cadeira.
  • Aumentar a visibilidade em tempo real: lideranças precisam monitorar indicadores de absenteísmo, custos com horas extras e turnover em tempo real para calcular com exatidão o Retorno sobre o Investimento (ROI) de qualquer alteração estrutural no ecossistema do negócio e de jornada.

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Perguntas Frequentes

O fim da escala 6x1 já foi aprovado por lei no Brasil?

Sim. A aprovação ocorreu no dia 14 de outubro. A nova regra prevê a redução da jornada de trabalho semanal de 44 horas para 40 horas, de forma gradual. 

Qual será a nova jornada do trabalhador com o fim da escala 6x1?

Pelo texto aprovado pelo Congresso Nacional, com o fim da escala 6x1, a jornada semanal no país passará para 42 horas após 60 dias depois da publicação da emenda constitucional no Diário Oficial da União. Depois de 14 meses, a nova carga máxima de trabalho por semana no Brasil será definitivamente de 40 horas. Essa carga horária já prevê dois dias de descanso consecutivos por semana. 





Se a escala mudar, a empresa pode reduzir o salário do funcionário?

Não. De acordo com o artigo 468 da CLT e a Constituição Federal, as reduções salariais são proibidas por lei para evitar prejuízos diretos ao trabalhador. Qualquer alteração de jornada que envolva redução proporcional de remuneração exigiria, hoje, um acordo ou convenção coletiva com o sindicato da categoria, respeitando o princípio da irredutibilidade salarial. Além disso, a proposta aprovada, e que vai ser a regra oficial do país, reduz a jornada de trabalho sem diminuir o salário dos trabalhadores.

 

 

 

 

 

O que falta para o fim da escala 6x1 virar lei de verdade?

O fim da escala 6x1 já foi aprovado no Congresso Nacional. Para começar a valer, a emenda só precisa ser publicada pelo Diário Oficial da União. A partir dessa publicação, o período de transição começa a valer: 

- Após 60 dias da publicação, a jornada já cai para 42 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado consecutivos;

- Após 14 meses da publicação, a jornada fica em 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado consecutivos.





Olá! Sou Camila Mendonça, jornalista e especialista de conteúdo na Buk. Tenho mais de 10 anos de experiência em ass...

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