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Fim da escala 6x1: entenda os argumentos pró e contra a proposta

O debate sobre o fim da escala 6x1 movimenta organizações de trabalhadores e representantes setoriais. Saiba o que dizem aqueles que defendem e quem é contra a proposta que está no Congresso Nacional.

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| 10 Minutos de leitura

| 17 Junho, 2026


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Fim da escala 6x1: entenda os argumentos pró e contra a proposta
14:24

 

 

O debate sobre a jornada de trabalho no Brasil ganhou os holofotes e as mesas de discussão de lideranças e profissionais de RH. No centro da pauta está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1, modelo em que o colaborador trabalha seis dias consecutivos e tem apenas um dia de folga.

 

As discussões têm ganhado força diante da aprovação da proposta na Câmara dos Deputados. A medida agora está no Senado, onde aguarda análise, mas nem todos os setores da economia concordam com as mudanças de jornada de trabalho.

 

O que está realmente em jogo? Como essa mudança pode impactar a sustentabilidade financeira das empresas e a gestão operacional das equipes? Para você entender melhor a discussão, elencamos os argumentos pró e contra o fim da escala 6x1 que estão sendo usados por organizações e associações setoriais.

 

Leia também: Fim da escala 6x1: o que muda na folha de pagamento?     

 

Fim da escala 6x1: argumentos a favor da mudança 

Os principais argumentos que colocaram o fim da escala 6x1 em pauta são os relacionados à saúde mental e física dos trabalhadores. E não é para menos: O número de trabalhadores afastados pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) por transtornos mentais só cresceu e atingiu mais de 546 mil pessoas em 2025, um aumento de 15,66% em comparação a 2024.

 

Segundo dados da Previdência Social, enviados ao G1, os afastamentos do trabalho especificamente por burnout saltaram de 823 em 2021 para 7.595 em 2025, o que representa uma alta de 823%.

 

Diante disso, movimentos ao redor do mundo começaram a crescer em torno da pergunta: será que o modelo de carga horária desenhado na década de 1940 ainda atende às necessidades de uma sociedade hiperconectada e digital?

 

Globalmente, movimentos como o 4 Day Week Global defendem a jornada 4x3, com o argumento de que trabalhar 4 dias e descansar 3 não só mitiga os riscos psicossociais no trabalho, como também atua diretamente no aumento da produtividade e na eficiência operacional das companhias.

 

Saiba mais sobre os argumentos a favor do fim da escala 6x1.

1. Redução do burnout e absenteísmo

Mais tempo de descanso atua diretamente na diminuição de doenças ocupacionais. Com duas ou três folgas semanais, o colaborador tem maior janela para recuperação física e mental, o que reflete na queda de faltas e nos custos com o plano de saúde da empresa.

 

Segundo um artigo do Cesit (Centro de estudos sindicais e economia do trabalho), da Unicamp (Universidade de Campinas), há uma relação direta entre jornadas extenuantes e adoecimento físico e mental do trabalhador. Além disso, os pesquisadores afirmam que a jornada atual já prejudica o futuro do trabalho.

 

Eles citam um estudo realizado pela Fiocruz com jovens de 15 a 29 anos que mostrou que o número de notificações de jovens com transtorno mental relativo ao trabalho é maior entre os jovens de 25 a 29 anos e que as principais causas são estresse pós-traumático, transtornos de adaptação, transtorno misto ansioso e depressivo e ansiedade generalizada associados ao trabalho.

2. Aumento da produtividade por hora trabalhada

Ao contrário do que muita gente imagina, trabalhar menos dias pode, sim, aumentar a produtividade. É o que mostraram os resultados do projeto-piloto da escala de 4x3 no Brasil, realizado pela organização 4 Day Week Global em parceria com a FGV-EAESP e a consultoria Reconnect Happiness at Work.

 

O projeto revelou que 61,5% dos trabalhadores que trabalharam na escala 4x3 observaram melhorias na execução de projetos; 44,4% relataram maior capacidade de cumprir prazos e 62,7% experimentaram redução no estresse corporativo.

 

Essa melhoria percebida pelos trabalhadores resultou em aumento de receita: 72% das empresas que participaram do projeto-piloto registraram aumento na receita durante o período do teste.

3. Custos operacionais pouco elevados

Um dos fortes argumentos da parcela da sociedade que é contra o fim da escala 6x1 é econômico: há o temor de aumento nos custos da folha de pagamento. Contudo, um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) revelou que esse aumento seria similar aos impactos observados em reajustes históricos do salário-mínimo no Brasil.

 

De acordo com o estudo, a redução da jornada de trabalho elevaria o custo médio do trabalhador CLT em 7,84% no caso de uma jornada de 40 horas semanais. Porém, ponderando os resultados pelo peso do trabalho no custo total de cada setor, as estimativas indicam efeitos reduzidos nos custos totais.

 

Nos grandes setores com forte geração de empregos, como a indústria e o comércio, o efeito estimado é inferior a 1% do custo operacional total, o que indica maior capacidade de absorção de eventuais mudanças na jornada.

4. Criação de novos empregos

Outro estudo do Cesit, da Unicamp, mostra que a redução da jornada de trabalho de 44 para 36 horas semanais resultaria na criação de até 4,5 milhões de novos empregos e elevaria em cerca de 4% os níveis de produtividade no Brasil.

 

A proposta de 36 horas semanais não é a que foi aprovada pela Câmara. Existem diferentes Projetos de Lei e PECs sobre jornada de trabalho em discussão no Congresso Nacional, inclusive um que prevê a redução de 44 horas para 36 horas.

5. Atração e retenção de talentos

Em um mercado altamente competitivo, o "benefício do tempo" se transforma em um poderoso diferencial competitivo de Employer Branding, reduzindo taxas de turnover voluntário e atraindo profissionais mais qualificados.

Fim da escala 6x1: argumentos contra a mudança

Entidades de classe e associações patronais manifestam preocupação com o impacto financeiro imediato da medida na folha de pagamento e na competitividade do mercado. Isso porque o mercado brasileiro possui particularidades logísticas e tributárias complexas.

 

Para os setores de comércio, serviços e indústrias com linhas de produção ininterruptas, alterar a escala exige uma reengenharia de custos e de escala de pessoal que preocupa os tomadores de decisão.

 

Setores que tradicionalmente trabalham em uma escala intensa devem sentir o maior impacto na redução de jornada. Segundo um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Brasil possui 57,8 milhões de empregos formais, dos quais 31,5 milhões seriam afetados pela mudança de jornada.

 

De acordo com o estudo, 93% dos trabalhadores do comércio varejista e 92% do atacado trabalham acima de 40 horas semanais. Ou seja, alterar a dinâmica desses setores, de acordo com as associações representativas, afetaria a dinâmica dos maiores empregadores do País e aumentaria os custos não apenas operacionais, mas para o consumidor final. Entenda melhor esses argumentos a seguir.

1. Elevação do custo operacional e da folha de pagamento

Para manter o atendimento em estabelecimentos que operam de domingo a domingo, como supermercados, shoppings, farmácias e hotéis, as empresas serão obrigadas a contratar mais mão de obra para cobrir os dias de folga.

 

O estudo da CNC projeta alta de até 21% nos custos da folha de pagamento do comércio, o setor que mais emprega no País. A confederação estima que a adequação à nova regra pode gerar R$ 122,4 bilhões em custos anuais para o setor. No setor de serviços, o impacto estimado é de R$ 235 bilhões.

“O comércio não tem como absorver um aumento dessa magnitude sem repassar preços, reduzir margens, cortar postos de trabalho ou restringir dias de funcionamento”, explicou, em nota, o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes.

 

Segundo o levantamento, o turismo é um dos setores mais vulneráveis às mudanças na jornada de trabalho e deve ter um aumento de 54% nos custos da folha.

2. Aumento de preços para o consumidor

Custos operacionais maiores representam preços maiores na ponta. Esse aumento no custo da folha de pagamento pode ser repassado ao consumidor final, gerando pressões inflacionárias, o chamado “efeito-preço".

 

O estudo da CNC mostra que, no longo prazo, uma variação de 1% na massa salarial do comércio gera um repasse médio de 0,6% aos preços ao consumidor final, já controlados por impactos dinâmicos de vendas, preços no atacado, sazonalidades, ciclos econômicos e tendências.

 

Dessa forma, um choque de 21% na folha de pagamentos desse setor, que é o impacto projetado com o fim da escala 6x1, implicaria em aumento estimado de 13% nos preços ao consumidor final.

 

Em entrevista ao Estadão, o presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci, afirma que, com a medida, os restaurantes precisariam reajustar os preços em cerca de 7% para compensar o aumento da folha salarial.

3. Redução de empregos e aumento da informalidade

Custos maiores e vendas menores iniciam um ciclo negativo para a economia. De acordo com a CNC, o fim da escala 6x1 pode resultar em 631 mil empregos formais a menos no curto e médio prazos.

 

Segundo o estudo, como a legislação impede a redução da remuneração nominal do trabalho, a adequação à nova regra “demandaria hipóteses de demissão e readmissão, além da necessidade de contratações adicionais para manter o funcionamento regular dos estabelecimentos".

 

Uma projeção feita pela FIEMG (Federação das Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) mostra que, num cenário em que há uma redução da jornada para até 40 horas semanais, sem ganhos de produtividade, o país poderá perder até 18 milhões de empregos e ter uma redução de até R$ 480 bilhões na massa salarial.

 

Já considerando um cenário moderado, com aumento de 1% na produtividade, as perdas de empregos podem chegar a 16 milhões, com impacto negativo de R$ 428 bilhões na renda dos trabalhadores.

4. Fechamento de pequenos e médios negócios

Outro argumento de quem é contra o fim da escala 6x1 é o impacto do aumento dos custos operacionais nas pequenas e médias empresas.

 

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) disse, em nota, que a redução da jornada de trabalho, sem aumento de produtividade ou redução do “custo Brasil, “resultará, inevitavelmente, em pressões inflacionárias e perda de competitividade. Tais medidas impactam severamente a sustentabilidade de pequenas e médias empresas, devendo gerar retração econômica, fechamento de postos de trabalho formais e o avanço da informalidade".

 

Além disso, a federação diz que a proposta compromete a autonomia do mercado. “O engessamento da jornada por via constitucional, sem considerar as especificidades de cada setor, compromete a autonomia de empresas e trabalhadores”, disse, em nota, Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

5. Redução do PIB

O fim da escala 6x1 pode também reduzir a produção de riquezas no país, dizem as organizações que são contra o fim desse tipo de jornada. O estudo da FIEMG mostrou que, em um cenário em que não há aumento de produtividade, o país pode reduzir em 16% o PIB (Produto Interno Produto) nacional, com uma queda de até R$ 2,9 trilhões no faturamento dos setores produtivos.

 

“Antes de discutir a redução da jornada de trabalho, o Brasil precisa enfrentar o seu maior desafio: a baixa produtividade. O trabalhador brasileiro produz, em média, apenas 23% do que um trabalhador dos Estados Unidos. Reduzir o tempo de trabalho sem elevar a produtividade é uma conta que não fecha e coloca em risco milhões de empregos”, explicou, em nota, o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio.

O fim da escala 6x1 é bom ou ruim para o mercado?

Não existe “bom ou ruim” quando o assunto é mercado de trabalho e economia. Cada setor funciona de um jeito e tem necessidades específicas. As consequências reais da redução da jornada só serão claras quando as empresas, de fato, adotarem um novo modelo. O que já é claro é que os dados nacionais e internacionais são unânimes em alertar sobre os impactos físicos e mentais do excesso de trabalho, e essa discussão não tem mais volta.

 

Independentemente do desfecho legislativo da PEC que dá fim à escala 6x1, a discussão em si mostra que o mercado exige modelos de gestão mais eficientes. Para os decisores e gestores de RH, focar em eficiência operacional de processos e na centralização de dados é o caminho para mitigar prejuízos decorrentes de mudanças regulatórias. O que é possível fazer agora é:

 

  • Automatizar a gestão de ponto: planilhas manuais geram brechas para passivos trabalhistas. Contar com um controle de ponto eletrônico robusto e integrado permite simular escalas diferenciadas, prever cenários de banco de horas e monitorar o cumprimento das regras sem sobrecarga operacional.
  • Implementar a cultura baseada em entregas, não em horas: a transição para novos formatos exige maturidade da liderança e ferramentas modernas de avaliação de desempenho que mensurem resultados reais obtidos pelas equipes e não apenas o tempo em que o colaborador esteve na cadeira.
  • Aumentar a visibilidade em tempo real: lideranças precisam monitorar indicadores de absenteísmo, custos com horas extras e turnover em tempo real para calcular com exatidão o Retorno sobre o Investimento (ROI) de qualquer alteração estrutural no ecossistema do negócio e de jornada.

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Perguntas Frequentes

O fim da escala 6x1 já foi aprovado por lei no Brasil?

Não. A redução da jornada de trabalho está sendo avaliada no Congresso Nacional e ainda não foi aprovada. 

Qual será a nova jornada do trabalhador com o fim da escala 6x1?

Pelo texto aprovado na Câmara, com o fim da escala 6x1, a jornada semanal no país passará para 42 horas após 60 dias depois da aprovação da emenda constitucional no Senado. Depois de 14 meses após a aprovação da PEC, a nova carga máxima de trabalho por semana no Brasil será definitivamente de 40 horas. Essa carga horária já prevê dois dias de descanso por semana. 





Se a escala mudar, a empresa pode reduzir o salário do funcionário?

Não. De acordo com o artigo 468 da CLT e a Constituição Federal, as reduções salariais são proibidas por lei para evitar prejuízos diretos ao trabalhador. Qualquer alteração de jornada que envolva redução proporcional de remuneração exigiria, hoje, um acordo ou convenção coletiva com o sindicato da categoria, respeitando o princípio da irredutibilidade salarial. Além disso, a proposta que está sendo debatida no Congresso Nacional não prevê redução salarial. 



 

 

 

 

O que falta para o fim da escala 6x1 virar lei de verdade?

Existem diferentes propostas de redução de jornada sendo avaliadas pelo Congresso Nacional, A que está mais encaminhada e que dá fim à escala 6x1 é a PEC 221/2019. Ela foi aprovada pela Câmara dos Deputados e, agora, está no Senado Federal, onde passará novamente por comissões especiais e por mais dois turnos de votação no plenário. Depois de aprovada, ela já começa a valor.  





Olá! Sou Camila Mendonça, jornalista e especialista de conteúdo na Buk. Tenho mais de 10 anos de experiência em ass...

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